MiniMax avança na corrida da IA na China e já atinge um terço do uso do Claude
A empresa MiniMax é a mais nova a ganhar reconhecimento no mercado de inteligência artificial da China. Com o lançamento da versão MiniMax M2.5, a empresa que se tornou pública em janeiro conseguiu a atenção de desenvolvedores que antes utilizavam a ferramenta da DeepSeek para seus trabalhos e já alcançou um terço do uso do Claude, da Anthropic, informou a consultoria UBS.
A empresa, que abriu capital em janeiro, informou que a receita anual avançou 159%, alcançando US$ 79 milhões. O lucro bruto cresceu 437%, somando US$ 20,1 milhões. Em paralelo, a MiniMax declarou investimento de US$ 1,87 bilhão em pesquisa e desenvolvimento, movimento que sinaliza estratégia de ganho de escala em um setor marcado por alta competição e necessidade constante de inovação.
Indicada por bancos como o JPMorgan Chase a investidores interessados no setor de IA, a companhia mantém portfólio de modelos para texto, áudio e geração de vídeos e músicas por meio de IA generativa, tecnologia capaz de criar conteúdo original a partir de grandes bases de dados. Seus aplicativos já somam 236 milhões de usuários no mundo. Antes da chegada do M2.5, voltado ao universo de agentes multifuncionais, o principal ativo era o aplicativo de vídeos Hailuo AI.
Um dos diferenciais estratégicos está no preço. Por US$ 1 por hora, usuários podem ativar 100 tokens por segundo, modelo que tem atraído desenvolvedores que realizam múltiplos testes simultâneos. Segundo dados do OpenRouter, plataforma de comércio eletrônico de modelos de IA, aplicativos como Kilo Code, OpenClaw, BLACKBOXAI, Cline e liteLLM geraram bilhões de tokens com a tecnologia da empresa apenas em fevereiro.
Em relatório recente, um analista da UBS afirmou que a MiniMax está bem posicionada para capturar os “ventos favoráveis” da IA na China e no exterior. A instituição projeta que a companhia poderá atingir receita de até US$ 4 bilhões com seu assistente de IA nos próximos anos, caso mantenha o ritmo de adoção.
MiniMax enfrenta disputas judiciais e acusações de uso indevido
O avanço acelerado ocorre em meio a controvérsias. A Anthropic, desenvolvedora do Claude, acusou a MiniMax, a DeepSeek e a Moonshot AI de utilizarem 24 mil contas falsas para extrair dados do modelo concorrente. Em nota publicada em seu site oficial, a empresa afirmou que as companhias chinesas teriam recorrido à técnica de distillation, destilação de modelos, método que cria versões menores e mais baratas a partir de sistemas já treinados.
Segundo a Anthropic, essa prática teria permitido o desenvolvimento de sistemas avançados “em uma fração do tempo e do custo” necessários para treinamento independente. As empresas citadas não detalharam publicamente suas estratégias técnicas até o momento.
Além disso, estúdios como The Walt Disney Company, Universal Studios e Warner Bros. ingressaram com ações judiciais contra a MiniMax pelo uso de personagens protegidos por direitos autorais em vídeos gerados por IA. Movimento semelhante já havia atingido a ByteDance, dona do TikTok, em disputas envolvendo o aplicativo Seedance.
O cenário coloca a MiniMax no centro de uma disputa geopolítica e regulatória mais ampla, em que empresas chinesas e ocidentais competem não apenas por mercado, mas também por legitimidade tecnológica e jurídica.
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