Mistério revelado? Jornal diz que Adam Back é Satoshi Nakamoto, mas ele nega
O jornalista John Carreyrou, do New York Times, afirmou em reportagem que Adam Back, cofundador da Blockstream, é o lendário criador do Bitcoin, Satoshi Nakamoto. Em suas redes sociais, Beck negou a informação.
A declaração vem depois de um ano de investigação por parte de Carreyrou, que admitiu ter iniciado a busca depois de assistir ao documentário “Money Electric: The Bitcoin Mystery”, lançado pela HBO em 2024.
No filme, o diretor Cullen Hoback apontou o desenvolvedor de software canadense Peter Todd como a verdadeira identidade de Satoshi. No entanto, o repórter do NYT disse não ter se convencido com as evidências apresentadas. Para ele, o comportamento de Beck ao longo do documentário pareceu mais suspeito.
A reportagem, então, lista uma série de coincidências entre a ideologia de Satoshi, seu modo de escrever e os conhecimentos que precisaria possuir para criar o Bitcoin e a biografia de Back.
Evidências
O jornalista começa por citar como os e-mails de Satoshi mostram uma mistura de termos tipicamente britânicos com expressões americanas. Back, como se sabe, é um criptógrafo nascido em Londres.
Além disso, o primeiro bloco minerado do Bitcoin traz como assinatura uma manchete do jornal britânico The Times de 3 janeiro de 2009. A saber, a famosa notícia: “ministro da Economia à beira de um segundo resgate para os bancos”, no contexto da crise econômica global de 2008.
O repórter chega a utilizar inteligência artificial para comparar a linguagem de postagens em grupos de cypherpunks e chegou à conclusão que Back é o único que usualmente escreve até mesmo com os mesmos erros de ortografia de Satoshi.
A próxima evidência é que a ideologia libertária que Satoshi manifestou no fórum BitcoinTalk é a mesma de Back. Lá estão as preocupações do movimento cypherpunk, do qual Back fazia parte, com a privacidade das transações online e com o possível uso dos registros de transferências digitais por governos para controlar a população.
Essa similaridade filosófica chega a detalhes bastante peculiares, tal qual a insistência de ambos em tratar o excesso de e-mails spam como um dos maiores problemas da vida digital.
Outra afinidade existe no desdém dos dois pelo conceito de propriedade intelectual e registro de patentes. Quando a plataforma de compartilhamento Napster foi derrubada pela indústria fonográfica, por exemplo, Back afirmou em uma lista de e-mails de cypherpunks que a forma mais simples e segura de lançar softwares peer-to-peer (transferência de arquivos entre pessoas sem intermediários) seria fazê-lo anonimamente.
Foi exatamente o que o criador do Bitcoin fez ao trazer a moeda digital ao mundo.
Ninguém viu os dois no mesmo lugar
Também há uma coincidência curiosa de datas, com o aparecimento de Satoshi ocorrendo justamente quando Back se afastou das discussões cypherpunks sobre dinheiro eletrônico. Em contrapartida, quando o criador do Bitcoin desapareceu, em 2011, o cofundador da Blockstream entrou nas discussões sobre a criptomoeda.
A citação direta que existe no White Paper do Bitcoin aos trabalhos de Back seria, segundo o jornalista do NYT, uma forma de despistar quem quisesse ligar uma coisa à outra. Afinal, Back já sugeria em 1997 a criação de um sistema eletrônico de dinheiro “totalmente desconectado” do sistema bancário.
Os princípios deste sistema deveriam ser, de acordo com o criptógrafo, a distribuição em uma rede de computadores, preservação da privacidade, escassez programada e eliminação da necessidade de confiança em terceiros.
De acordo com a reportagem, Back foi confrontado pelo jornalista e não apresentou uma explicação convincente para o motivo por que desapareceu de sua lista de e-mails sobre criptografia no período em que Satoshi estava ativo além de simplesmente dizer que “estava ocupado com o trabalho”.
Por fim, Back teria até mesmo usado uma frase muito parecida com a de Satoshi ao dizer que não é tão bom com palavras como é com código. “Não estou dizendo que sou bom com as palavras, mas com certeza falei bastante nessas listas, na verdade”, teria dito Back na entrevista.
Executivo nega
Diante das informações publicadas na reportagem, Back afirmou categoricamente em seu perfil na rede social X (Twitter), que não é Satoshi. Todavia, ele admite que estava focado nas implicações positivas para a sociedade existentes em criptografia, privacidade digital e dinheiro eletrônico antes da criação da moeda.
Back diz que a citação sobre não ser bom com palavras veio no contexto de ter falado muito nas listas de criptografia e cypherpunks, devido ao seu interesse em dinheiro eletrônico.
“Existe um certo viés de confirmação no fato de meus comentários serem frequentes em tópicos sobre dinheiro eletrônico, devido ao meu volume de postagens. É mais provável que eu tenha comentado lá do que outras pessoas com interesses semelhantes, mas que postam 20 vezes menos. Apresentei isso a John como uma explicação de porque isso pode ser visto como uma forma de viés de confirmação, que deveria ser corrigida estatisticamente”, defendeu-se.
O mistério do criador do Bitcoin
Desde a criação do Bitcoin, em 2008, a verdadeira identidade de Satoshi tem sido um grande mistério, capaz de mobilizar a comunidade.
Várias pessoas já foram apontadas como Satoshi, indo do engenheiro japonês naturalizado americano Dorian Nakamoto, até o falecido programador Hal Finney (que recebeu a primeira transação com bitcoins), além do criptógrafo Nick Szabo, Peter Todd e o próprio Adam Back.
O engenheiro de software de antivírus, John McAfee era um dos principais defensores da teoria de que Back seria Satoshi antes de sua morte em 2021.
Além de ser o fundador da Blockstream, Back é o criador do conceito original da prova de trabalho (Proof of Work), o mecanismo utilizado para garantir a escassez do bitcoin ao vincular a emissão de novas moedas digitais ao processo de mineração digital.
No começo deste ano, Back se tornou alvo de polêmica por aparecer diversas vezes nos chamados “arquivos Epstein”. O executivo está copiado em diversos e-mails enviados pelo magnata de Wall Street e criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Em um dos e-mails, Epstein disse que gostava de Back e admitia ter investido na empresa do criptógrafo.
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