Mojtaba Khamenei publica primeira carta como líder supremo do Irã
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, divulgou nesta quinta-feira, 13, sua primeira mensagem pública desde que assumiu o posto deixado por seu pai, Ali Khamenei.
A declaração foi publicada em seu canal oficial no aplicativo Telegram.
Na mensagem inicial, o aiatolá pediu que a população mantenha resistência diante dos adversários do país. “Povo do Irã de todos os modos de vida que fique firme contra o inimigo”, afirmou.
Segundo meios de comunicação estatais iranianos, a publicação também apresentou pela primeira vez uma imagem com a caligrafia do novo líder supremo. O material mostra uma lista com os nomes dos líderes da República Islâmica: Mojtaba Khamenei, seu pai Ali Khamenei e o fundador do regime iraniano, Ruhollah Khomeini.
Abaixo da lista aparece a frase “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”, expressão frequentemente usada na abertura de capítulos do Alcorão e associada a novos começos na tradição islâmica.
Mensagem de Mojtaba Khamenei na íntegra
“Não revogamos nenhum versículo nem o fazemos cair no esquecimento sem que apresentemos outro melhor ou semelhante.
Que a paz esteja contigo, ó convocador de Deus e guia divino de Seus sinais; que a paz esteja contigo, ó porta de Deus e guardião de Sua religião; que a paz esteja contigo, ó sucessor de Deus e defensor de Sua verdade; que a paz esteja contigo, ó prova de Deus e guia de Sua vontade; que a paz esteja contigo, ó aquele que é aguardado e precede; que a paz esteja contigo em todas as formas de saudação; que a paz esteja contigo, ó meu senhor, o dono do tempo.
No início de minhas palavras, devo apresentar minhas condolências ao meu senhor — que Deus apresse sua aparição — pela dolorosa morte do grande líder da Revolução, o querido e sábio Khamenei. Peço também a ele orações e bênçãos para cada membro do grande povo do Irã, para todos os muçulmanos do mundo, para todos os que servem ao Islã e à Revolução, para os que se sacrificaram e para os familiares dos mártires do movimento islâmico, especialmente os da guerra recente, bem como para este humilde servo.
A segunda parte de minhas palavras dirige-se ao grande povo do Irã. Inicialmente, devo explicar brevemente minha posição em relação ao voto da respeitada Assembleia de Especialistas. Este seu servo, Seyed Mojtaba Hosseini Khamenei, tomou conhecimento do resultado da votação dessa respeitada assembleia ao mesmo tempo que vocês, por meio da televisão da República Islâmica.
Para mim, ocupar o lugar que foi a sede de dois grandes líderes — o grande Khomeini e o mártir Khamenei — é uma tarefa difícil. Essa posição foi ocupada por alguém que, após mais de 60 anos de luta no caminho de Deus e de renunciar a diversos prazeres e confortos, transformou-se em uma figura brilhante e distinta não apenas na era atual, mas ao longo da história dos governantes deste país. Tanto sua vida quanto a forma de sua morte foram marcadas por uma grandeza e uma dignidade decorrentes da confiança em Deus.
Tive a honra de ver seu corpo após o martírio. O que vi foi uma montanha de firmeza, e ouvi que sua mão saudável permanecia cerrada em punho. Sobre os diversos aspectos de sua personalidade, os conhecedores deverão falar durante muito tempo. Neste momento, limito-me a essa breve menção e deixo os detalhes para ocasiões mais apropriadas. É por isso que assumir a liderança após alguém assim é tão difícil. Superar essa distância só será possível com a ajuda de Deus e com o apoio de vocês, o povo.
Em seguida, é necessário enfatizar um ponto diretamente relacionado ao tema de minhas palavras. Um dos talentos do líder mártir e de seu grande predecessor foi envolver o povo em todas as esferas, esclarecendo e conscientizando continuamente a sociedade e, na prática, apoiando-se em sua força. Foi assim que eles concretizaram o verdadeiro significado de república e republicanismo, acreditando profundamente nisso.
O efeito claro dessa postura pôde ser visto nos últimos dias, quando o país esteve sem líder e sem comandante-chefe das Forças Armadas. A percepção e a inteligência do grande povo do Irã nos acontecimentos recentes, bem como sua perseverança, coragem e presença, levaram os amigos à admiração e os inimigos ao espanto. Foram vocês, o povo, que lideraram o país e garantiram sua força.
O versículo citado no início deste texto significa que nenhum sinal divino desaparece ou é esquecido sem que Deus, exaltado seja, substitua por algo igual ou melhor.
A razão de citar esse versículo não é sugerir que este servo esteja no nível do líder mártir — muito menos superior a ele. O objetivo é destacar o papel apropriado e decisivo de vocês, o querido povo. Se essa grande bênção nos foi retirada, em seu lugar foi concedida novamente ao sistema a presença vigilante do povo iraniano.
Saibam que, se o poder de vocês não se manifestar no cenário público, nem a liderança nem qualquer uma das instituições — cujo verdadeiro papel é servir ao povo — terão a eficácia necessária.
Para que isso se concretize melhor, em primeiro lugar deve-se considerar a lembrança de Deus, a confiança n’Ele e a busca de intercessão junto às luzes puras dos imames infalíveis como um elixir supremo e um elemento precioso que garante diversos caminhos de solução e a vitória definitiva sobre o inimigo. Essa é uma grande vantagem que vocês possuem e que seus inimigos não têm.
Em segundo lugar, não deve haver qualquer ruptura na unidade entre os diferentes grupos e setores da nação, unidade que geralmente se torna mais evidente em momentos de dificuldade. Isso será alcançado ao se deixar de lado os pontos de divergência.
Em terceiro lugar, deve-se preservar a presença efetiva na cena pública — seja como demonstrado nestes dias e noites de guerra, seja por meio de diferentes formas de atuação nas esferas social, política, educacional, cultural e até de segurança. O importante é compreender corretamente o papel a ser desempenhado, sem prejudicar a unidade social, e colocá-lo em prática tanto quanto possível. Uma das responsabilidades da liderança e de alguns outros dirigentes é justamente lembrar esses papéis a diferentes grupos da sociedade. Que o enfrentamento ao inimigo nesse aspecto esteja no foco da atenção de todos.
Em quarto lugar, não deixem de ajudar e apoiar uns aos outros. Graças a Deus, essa sempre foi uma característica da maioria dos iranianos, e espera-se que, nestes dias especiais — quando naturalmente alguns membros da nação enfrentam dificuldades maiores do que outros — isso se manifeste ainda mais. Aproveito também a oportunidade para pedir às instituições de serviço que não poupem qualquer tipo de ajuda e assistência a esses queridos membros da nação e às estruturas populares de socorro.
Se esses pontos forem observados, o caminho para que vocês, querida nação, alcancem dias de grandeza e esplendor será facilitado. O exemplo mais próximo disso pode ser, com a permissão de Deus, a vitória sobre o inimigo na guerra atual.
A terceira parte de minhas palavras é um sincero agradecimento aos nossos corajosos combatentes, que, em condições nas quais nosso povo e nossa querida pátria foram injustamente atacados pelos líderes da frente da arrogância, bloquearam o caminho do inimigo com golpes contundentes e os afastaram da ilusão de que poderiam dominar nossa amada pátria ou até mesmo dividi-la."
Líder iraniano teria sido ferido
Autoridades iranianas disseram à agência Reuters que Mojtaba Khamenei sofreu ferimentos leves recentemente, mas continua exercendo suas funções como líder supremo.
A emissora CNN, citando fontes próximas ao caso, informou que ele teria sofrido uma fratura no pé, além de uma contusão ao redor do olho esquerdo e pequenos cortes no rosto.
Segundo a reportagem, uma fonte israelense afirmou que os ferimentos ocorreram durante uma tentativa de assassinato na semana passada. O episódio alimentou rumores sobre o estado de saúde do líder iraniano, que não havia aparecido em público desde que foi anunciado como sucessor do pai.
Na quarta-feira, Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, afirmou ter recebido informações de que o aiatolá foi ferido, mas está fora de perigo. Em declaração à agência estatal ISNA, ele disse que o novo líder supremo está “seguro e não há motivo para preocupação”.
A informação sobre os ferimentos também foi mencionada por um alto funcionário do governo de Israel à Reuters, sob condição de anonimato.
Quem é Mojtaba Khamenei
Segundo filho mais velho de Ali Khamenei, Mojtaba tem 56 anos e nunca ocupou um cargo político de destaque no Irã, embora tenha mantido influência nos bastidores do poder.
Ele coordenava o gabinete do pai e possui conexões relevantes dentro da estrutura estatal, incluindo relações próximas com Hossein Taib, ex-chefe de inteligência da Guarda Revolucionária do Irã.
Em entrevista concedida em 2024, o professor Arash Azizi, da Universidade Clemson, afirmou que durante anos o nome de Mojtaba foi tratado como rumor dentro da política iraniana.
“Quando as pessoas começaram a falar de Mojtaba como um potencial sucessor, em 2009, considerei um boato. Mas não é mais. Está muito claro agora que ele é uma figura notável — e também uma figura que permaneceu quase totalmente invisível ao público”, disse.
No sistema político iraniano, o líder supremo exerce autoridade máxima do Estado e atua como comandante-chefe das Forças Armadas. O cargo segue o princípio do Velayat-e Faqih, base teológica do regime da República Islâmica.
Apesar da influência nos bastidores, Mojtaba nunca disputou eleições no país. Analistas avaliam que sua ascensão pode enfrentar resistência interna, especialmente porque a Revolução Iraniana de 1979 criticava a lógica de sucessão hereditária que marcava o regime do xá Mohammad Reza Pahlavi.
*Com O Goobo
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