Morgan Stanley também limita resgates em fundo de crédito privado

Por Ana Luiza Serrão 13 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Morgan Stanley também limita resgates em fundo de crédito privado

O banco americano Morgan Stanley restringiu os resgates em um de seus fundos de crédito privado após um aumento expressivo nos pedidos de retirada por parte dos investidores, em meio a um ambiente de maior desconfiança sobre este setor global, avaliado em cerca de US$ 2 trilhões.

Investidores solicitaram o resgate de quase 11% das cotas em circulação de um dos veículos da gestora — North Haven Private Income Fund —, segundo fontes consultadas pela Reuters. E, diante da pressão, a instituição limitou os saques, devolvendo apenas parte dos recursos demandados.

Morgan atendeu cerca de US$ 169 milhões — o equivalente a 45,8% — dos pedidos de resgate apresentados para o trimestre.

O banco seguiu as regras que permitem atender pedidos de resgate de até 5% das cotas em circulação por período. A medida, segundo a instituição, evita a venda forçada de ativos em momentos de turbulência no mercado e busca preservar o retorno ajustado ao risco no longo prazo.

Apesar da pressão por liquidez, o banco afirmou que os fundamentos de crédito do portfólio permanecem "amplamente estáveis." Até 31 de janeiro, o fundo tinha investimentos em 312 tomadores de empréstimos distribuídos por 44 setores.

Pressão crescente no crédito privado

O episódio ocorre em um momento de aumento das preocupações sobre a saúde do mercado de crédito privado. Nos últimos meses, uma sequência de problemas de crédito levou investidores a questionarem a qualidade das carteiras de empréstimos e a capacidade de pagamento das empresas.

Analistas apontam à Reuters que o ambiente atual tem ampliado a diferença entre empresas com balanços sólidos e aquelas mais frágeis. Em carta aos investidores, o Morgan Stanley destacou que a "dispersão entre créditos mais fortes e mais fracos está aumentando".

O impacto potencial da inteligência artificial (IA) sobre empresas de software também pressiona. O receio é de que a tecnologia reduza a rentabilidade dessas companhias e, consequentemente, sua capacidade de honrar dívidas. Elas são uma das principais tomadoras de empréstimo.

Efeito dominó no setor

As preocupações não se limitam ao fundo do Morgan Stanley. O setor tem enfrentado uma série de episódios recentes que alimentam a percepção de risco depois de anos em que o crédito privado havia ganhado apelo entre os investidores, com crescimento acelerado desde a crise de 2008.

A gestora BlackRock informou que precisou limitar resgates em um de seus principais fundos de dívida após um aumento nos pedidos de retirada de recursos. Já a Blackstone revelou que seu fundo de crédito privado Blackstone Private Credit Fund (BCRED) também teve forte alta nos pedidos de resgate no primeiro trimestre.

A gestora Blue Owl Capital passou, ainda, por questionamentos envolvendo vendas de ativos, o que desencadeou uma queda nas ações de gestores alternativos com forte presença no crédito privado. O JP Morgan, por outro lado, revisou para baixo o valor de alguns empréstimos ligados a fundos de crédito privado.

Com a manutenção de juros elevados em várias economias, o risco de inadimplência e a deterioração de alguns portfólios passaram a gerar questionamentos sobre a resiliência desse mercado. Os episódios de restrição de liquidez e aumento de resgates vêm reforçando o alerta.

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