Morgan Stanley vê Ibovespa aos 240 mil pontos — mas não este ano
O Morgan Stanley elevou o tom otimista para a bolsa brasileira em seu relatório "Perspectivas semestrais para a estratégia de ações da América Latina", mesmo em um momento de retirada recente de capital estrangeiro da B3. O banco de investimentos estadunidense projeta que o Ibovespa pode chegar aos 240 mil pontos até meados de 2027, um potencial de alta de cerca de 31% em relação aos níveis atuais.
"Prevemos um retorno de +31% em real (+22% em dólares) para o índice Ibovespa até meados de 2027 em nosso cenário base", afirmam os estrategistas Nikolaj Lippmann e Julia M. Leao Nogueira.
As tabelas do banco traçam uma meta de 240 mil pontos no cenário-base. A título de comparação, no último pregão do principal índice acionário da B3 nesta quarta-feira, 13, o indicador fechou na faixa dos 177 mil pontos. Em um cenário mais otimista, o chamado "bull case", a projeção chega a 280 mil pontos.
Mas a visão positiva chama atenção porque ocorre em meio à saída recente de investidores estrangeiros da bolsa brasileira.Apenas no pregão de 6 de maio, os estrangeiros retiraram R$ 1,1 bilhão da B3, sessão em que o Ibovespa caiu 2,32%. Com isso, maio acumula 11 pregões consecutivos de fluxo negativo, somando retirada de R$ 3,3 bilhões. No acumulado de 2026, porém, o saldo ainda segue positivo em R$ 53,2 bilhões.
Brasil é o mercado favorito na América Latina, diz o banco de investimento
Apesar desse movimento recente, o Morgan Stanley afirma manter recomendação "overweight" — equivalente a posição acima da média do mercado — para o Brasil. "O Brasil ainda é nosso mercado favorito na América Latina, apesar do subdesempenho recente em relação aos mercados emergentes da Ásia e aos EUA", dizem os estrategistas de ações.
Segundo o banco, o cenário favorável para as ações brasileiras está ligado a uma combinação de valuation considerado atrativo, possível melhora macroeconômica e potencial de fluxo doméstico para a bolsa.
O relatório também destaca o potencial de migração de recursos locais para a renda variável caso haja redução da taxa básica de juros, a Selic. "Prevemos que os ativos sob gestão (AUM) em fundos de ações domésticos aumentem em até US$ 25 bilhões puramente com base nas mudanças na taxa Selic", escreveu o banco.
"Primavera da América Latina"
Na visão do Morgan Stanley, a América Latina pode estar entrando em um ciclo estrutural de valorização semelhante ao vivido pela China no início dos anos 2000, após a entrada do país na Organização Mundial do Comércio (OMC).
"A América Latina pode estar no estágio inicial de um mercado de alta similar em magnitude à entrada da China na OMC. Prevemos uma trifeta de mudanças — geopolítica, mudança de política local e taxas mais baixas com prêmios de risco em declínio. Isso deve impulsionar um ciclo de investimentos, expandir múltiplos e elevar o retorno das ações", diz o relatório.
Dentro dessa tese, Brasil e Argentina aparecem como os principais destaques regionais. O banco compara os dois países ao Texas, nos Estados Unidos, pela combinação entre força agrícola e expansão energética.
"Argentina e Brasil estão cada vez mais parecidos com o Texas (petróleo e agricultura), e a última crise do petróleo deu ainda mais credibilidade e resiliência a esse argumento", afirmam os estrategistas.
O documento acrescenta que a América Latina historicamente apresenta comportamento defensivo em cenários de alta do petróleo e que essa característica deve se intensificar "à medida que o Brasil triplica suas exportações de petróleo e a Argentina cresce com o óleo".
O cenário de petróleo entre US$ 60 e US$ 90 por barril é tratado pelo banco como um "sweet spot", um ponto ideal, para a região. "Esse nível apoia o reequilíbrio econômico na Argentina e no Brasil, ajuda a conter a inflação e os riscos fiscais, e reduz a probabilidade de políticas intervencionistas que poderiam prejudicar a governança do setor", diz o documento.
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