‘Mother Mary’: como o cinema criou uma diva pop fictícia com Anne Hathaway
O filme "Mother Mary", dirigido por David Lowery, traz Anne Hathaway no papel de uma estrela pop fictícia. A produção é distribuída pela A24 e já está em cartaz em cinemas selecionados.
A personagem Mother Mary é uma cantora que construiu uma longa carreira de sucesso. A história alterna entre seus shows em estádios lotados e a relação difícil com a ex-figurinista e melhor amiga Sam Anselm, papel interpretado por Michaela Coel.
Desenvolvimento da personagem Mother Mary
Segundo informações da Variety, a coreógrafa Dani Vitale revelou que a equipe do filme realizou o equivalente a dez anos de desenvolvimento artístico em apenas seis meses para moldar a carreira da personagem de Anne Hathaway. Esse trabalho incluiu a definição de quantos álbuns a personagem lançou, a duração de seus hiatos e até o funcionamento de sua gravadora.
Além de Vitale, a equipe de criação contou com a diretora de fotografia Rina Yang e a figurinista Bina Daigeler.
Inspirações em Taylor Swift e Lady Gaga
As referências para Mother Mary vieram de ícones do mundo real: Lady Gaga e Taylor Swift. De Swift, a equipe buscou capturar a alma e a conexão emocional; de Gaga, o foco foi transpor poder e autenticidade para a tela. Essa mistura se estendeu aos figurinos, onde Daigeler buscou elementos de Beyoncé e Dua Lipa, enquanto Yang aplicou sua experiência em clipes de FKA Twigs e da própria Taylor Swift para desenhar a estética dos shows.
Essa imersão pop ganhou vida sonora com um álbum inédito produzido por Charli XCX, Jack Antonoff e FKA Twigs, que entregaram canções com influências góticas. Para dar voz a esse repertório, Anne Hathaway — vencedora do Oscar por "Os Miseráveis" — trabalhou intensamente com um preparador vocal. À Variety, a atriz enfatizou que o objetivo era criar uma sonoridade única, sem mimetizar outras cantoras.
A preparação de Anne Hathaway
Para viver a diva pop, Hathaway treinou de seis a sete horas por dia durante meses, mergulhando em jazz, balé e hip hop. Segundo Vitale, o processo visava expor as fragilidades da atriz para construir uma persona autêntica. Nos intervalos, a preparação continuava: Hathaway estudava turnês e videoclipes para aprender detalhes técnicos, como a forma natural de manusear e desligar um microfone.
O visual acompanhou essa evolução, com figurinos que narram dois momentos da carreira: o início, nos anos 2000, e o retorno triunfal no final da década de 2010. Elementos como as auréolas góticas — inspiradas em pinturas barrocas — tornaram-se centrais, com peças específicas para cada música, como o traje estruturado de "Dark Cradle" ou o visual vulnerável de "Holy Spirit".
Com a personagem consolidada em corpo, voz e estilo, o desafio final foi a captura das apresentações. Fugindo de efeitos artificiais, a equipe construiu um palco físico com público real. A tecnologia foi usada apenas para ampliar a plateia e elevar a plataforma voadora onde Hathaway cantou suspensa — uma performance que a diretora de fotografia descreveu como "impressionante" pela entrega da atriz.
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