Movida: lucro cresce 64% no 4º tri, alavancagem cai e caixa fica positivo

Por Mitchel Diniz 24 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Movida: lucro cresce 64% no 4º tri, alavancagem cai e caixa fica positivo

A Movida fechou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 102 milhões, alta de 64,5% na comparação anual, mas ainda sob forte pressão do resultado financeiro. Os resultados operacionais da locadora de veículos foram os melhores em anos e a alavancagem caiu para o menor nível desde 2021. A linha final do balanço, porém, poderia ser maior, não fosse o custo da dívida em um ambiente de juros elevados.

No trimestre, o EBIT, resultado operacional sem considerar depreciações, somou R$ 851 milhões. O resultado financeiro, por outro lado, foi negativo em R$ 764 milhões. Ainda assim, o balanço mostra uma empresa que tem sido mais rigorosa com disciplina financeira, em um negócio naturalmente intensivo em capital. A Movida apresentou melhor mix de receitas e ganhos de eficiência, deixando a expansão acelerada de frota no passado.

A receita líquida consolidada atingiu R$ 3,659 bilhões no quarto trimestre, alta de 12,6%, enquanto o EBITDA cresceu 19,8%, para R$ 1,49 bilhão, com avanço de margem. O movimento foi puxado principalmente pelos negócios de locação, com recomposição de preços, aumento de diárias e maior disciplina na alocação de capital.

No aluguel de carros (RAC), a receita chegou a R$ 969 milhões, alta de 19,8%, com EBITDA de R$ 649 milhões e margem de 67%. O desempenho reflete a recomposição de tarifas, com a diária média subindo 6,6% para R$ 161, e o avanço de 12,3% no volume de locações (6,689 milhões). "Tivemos 670 mil novos CPFs que nunca haviam usado o serviço da Movida", disse Gustavo Moscatelli, CEO da Movida, à EXAME.

Já na gestão e terceirização de frotas (GTF), segmento mais previsível e rentável, a receita somou R$ 1,08 bilhão, alta de 14,9%, com EBITDA de R$ 812 milhões e margem próxima de 75%. O segmento foi sustentado por renovações de contratos com maior retorno (yield) e duração.

"Até você desmobilizar o carro que estava com a rentabilidade antiga, colocar contratos novos, leva em média de 12 a 18 meses. Então, a grande parte da rentabilidade nova desses contratos que a gente assinou, vai ficar mais evidente este ano do que, por exemplo, ano passado", disse o CEO.

Em seminovos, a receita foi de R$ 1,56 bilhão, com margem de cerca de 1%, reforçando o papel da operação como mecanismo de giro de ativos e liquidez, mais do que de rentabilidade.

Junto com os resultados do quarto trimestre, a Movida trouxe também um guidance projeção para o primeiro trimestre deste ano. A companhia espera crescimento de lucro de cerca de 54% e uma cifra que deve ficar entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões. "É o melhor momento que a companhia já teve", diz Moscatelli.

Balanço fechado de 2025

No consolidado de 2025, a Movida registrou lucro líquido de R$ 318 milhões, alta de 37,5%, enquanto o EBITDA avançou 21%, para R$ 5,686 bilhões, e a receita líquida cresceu 8,8%, para R$ 14,7 bilhões. O EBIT subiu 24,3% e o retorno sobre o capital investido (ROIC) atingiu 16,6%, o maior da história da empresa.

A mensagem da administração deixa clara essa inflexão. “Apresentamos um EBITDA recorde […] e evolução contínua na geração de valor aos acionistas”, diz o texto. “Estamos em nosso melhor momento e preparados para entregar a maior rentabilidade da história”.

Movida encerrou o ano com dívida líquida de R$ 15,5 bilhões, (ante R$ 14,7 bilhões em 2024) mas conseguiu reduzir a alavancagem para 2,6 vezes o EBITDA — o menor nível em cinco anos. Ao mesmo tempo, a companhia virou a chave na geração de caixa: o fluxo de caixa livre antes de juros ficou positivo em R$ 786,9 milhões, revertendo o resultado negativo do ano anterior.

Por trás dessa melhora está uma disciplina maior no uso de capital. O CAPEX líquido caiu 21,8% em 2025, para R$ 3,7 bilhões, refletindo menor expansão, especialmente no GTF, e maior controle na renovação da frota. A empresa encerrou o ano com 275 mil carros, alta modesta de 2,4%.

"Não temos, este ano, um plano de crescimento de frota. Faremos melhorias operacionais que vão continuar melhorando a receita. Mas, a geração de caixa vai continuar sendo destinada para a redução do endividamento e da alavancagem da companhia. Esse continua sendo o foco para o ano de 2026", diz Moscatelli.

A frota da Movida está mais jovem — com parcela relevante adquirida ao longo do próprio ano — e a depreciação segue estável, em torno de R$ 7,1 mil por carro no RAC e R$ 11 mil no GTF. Já a operação de seminovos mantém alta liquidez, com cerca de 97 mil veículos vendidos no ano e margens próximas de 1%, indicando maior previsibilidade no valor residual dos ativos.

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