Mudança em tarifas gera nova crise entre EUA e Europa
As alterações nas tarifas comerciais cobradas pelos Estados Unidos, que vieram após a decisão da Suprema Corte, colocam em dúvida o futuro do acordo comercial entre o país e a União Europeia.
Em julho de 2025, a UE fechou um tratado comercial com os EUA para obter um percentual menor de taxas americanas sobre seus produtos, de 30% para 15%. Em troca, o bloco retirou barreiras comerciais e tarifas sobre produtos americanos, além de se comprometer a investir em solo americano.
No entanto, agora os EUA estão cobrando uma tarifa global de 10%. Trump prometeu aumentá-la para 15%, mas ainda não a oficializou. A questão que incomoda os europeus é que a nova taxa se soma a outras existentes, o que na prática elevará as tarifas médias cobradas da Europa para 0,6%, acima do que estava no acordo.
"Muitas exportações da UE enfrentarão tarifas mais altas nos próximos meses. A nova base tarifária também reduziria a vantagem competitiva da UE em relação a outros parceiros comerciais importantes dos EUA", diz uma análise da consultoria Eurasia.
Ou seja: com a mudança, a Europa passa a ter a mesma tarifa dos demais países, o que levaria o continente a fazer concessões sem, na prática, ter vantagens. O Brasil, por exemplo, tinha uma tarifa de 50% e agora também está com 10%.
O futuro guarda ainda mais incertezas. A tarifa de 10%, aplicada pela Seção 122, tem duração de cinco meses. Trump promete impor novas medidas depois disso, com base em regras como a Seção 301, que exige investigações de supostas práticas desleais por parte de parceiros.
Neste contexto, o Parlamento Europeu decidiu, na segunda-feira, 23, postergar a ratificação do acordo. Com isso, os europeus adiam a redução de taxas paa os EUA.
"Autoridades da UE veem a decisão da Suprema Corte como uma oportunidade para os EUA reduzirem as tarifas, em consonância com o foco do governo na queda de preços, enquanto outros temem que ela possa ser um instrumento para consolidar tarifas mais altas ou obter mais concessões", diz a Eurasia.
Sem retaliação
A consultoria considera que uma retaliação está descartada por ora e que o tratado não deverá ser rompido pelos europeus.
"É muito improvável que a Comissão Europeia imponha tarifas retaliatórias sobre € 93 bilhões em importações dos EUA autorizadas pelos Estados-Membros no ano passado. O Instrumento Anticoerção (ACI) da UE, que poderia permitir uma gama mais ampla de medidas, incluindo restrições aos serviços digitais dos EUA, continua sendo um último recurso", diz a Eurasia.
"A UE insistirá em avançar com o acordo para evitar aumentos tarifários. Apesar dessa pausa, a Comissão Europeia reafirmou rapidamente seu compromisso com a redução das tarifas e com a implementação integral do acordo de julho", afirma o relatório.
A Eurasia avalia que, a curto prazo, a Comissão Europeia tentará usar o acordo para evitar aumentos acima do limite de 15% que poderiam resultar das investigações da Seção 301, bem como para restaurar sua vantagem relativa em relação a outros países e blocos.
As conversas entre os dois lados, no entanto, terão pontos delicados. Os Estados Unidos criticam as medidas da Europa para regular serviços digitais, muitos deles fornecidos por empresas americanas, bem como os planos europeus de estimular a compra de produtos locais na área de defesa.
"As investigações por meio da seção 301 sobre barreiras não tarifárias são agora praticamente certas e podem considerar ambas as questões como fundamentos para a imposição de taxas permanentes", diz a Eurasia.
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