Muito além da barba, cabelo e bigode, ecossistema masculino gira 25 bi

Por Rafael Martini 10 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Muito além da barba, cabelo e bigode, ecossistema masculino gira 25 bi

Foi-se o tempo em que homem ia à barbearia apenas para fazer barba, cabelo e bigode. A geração hiperconectada passou a tratar a estética como extensão da identidade — e também como ativo social e profissional.

O debate, que nas redes sociais muitas vezes se traduz na caricatura entre o “raiz” e o “nutella”, ajuda a ilustrar a mudança cultural. Fora dos memes, porém, o impacto é concreto: o Brasil já figura entre os três maiores mercados globais de estética masculina, movimentando mais de R$ 25 bilhões por ano.

Foi a partir dessa leitura que o paranaense Caio Quirino construiu a Côrte Visagismo, marca que nasceu do inconformismo com um setor que, segundo ele, evoluiu pouco em modelo de negócio e experiência ao longo das últimas décadas.

“Eu comecei muito cedo. Com 12 anos já estava dentro da profissão, vivendo na prática o dia a dia da barbearia. Ao longo de quase duas décadas, vi o mercado evoluir, mas também enxerguei algo que me incomodava muito: o setor parou no tempo”, afirma.

Fundada em 2021, com a abertura da primeira unidade em Florianópolis, a empresa projeta faturar R$ 20 milhões em 2026, o dobro do registrado no ano anterior, e já opera três unidades — em Balneário Camboriú, na capital de SC e  agora São Paulo, com a capital paulista como peça central da estratégia. “Se você ganha São Paulo, você ganha o Brasil”, resume o empreendedor.

A tese da Côrte Visagismo rompe com o modelo tradicional de barbearia. Em vez de serviços isolados, a empresa estrutura uma jornada completa de transformação de imagem masculina, baseada em visagismo, consultoria e estética integrada. A técnica — que alinha imagem, identidade e posicionamento pessoal — permite traduzir características individuais em uma aparência coerente com objetivos profissionais e pessoais.

“A Côrte Visagismo nasce justamente desse inconformismo. Eu não queria abrir mais uma barbearia. Eu queria criar algo que elevasse o nível do segmento inteiro. Não se trata apenas de fazer barba, cabelo e bigode — isso qualquer um faz. O que realmente gera valor é a transformação que o cliente vive dentro do processo”, diz Quirino.

Formado em Economia, o empreendedor trouxe disciplina de gestão desde o início. “Não era só sobre técnica ou atendimento, mas sobre entender modelo de negócio, margem, escala, comportamento de consumo e como transformar experiência em resultado financeiro sustentável.”

O início foi enxuto — e intenso. “No começo, eu e minha namorada fazíamos absolutamente tudo, do atendimento à limpeza, trabalhando mais de 16 horas por dia.”

Transformação visual

A virada veio com a entrada de Wendell Carvalho como sócio, em um movimento que marcou a transição de crescimento para escala. “Ali eu entendi que não era só sobre crescer — era sobre escalar o sonho.” A partir daí, nasce também o conceito de ecossistema.

Hoje, a Côrte Visagismo se posiciona como uma empresa de transformação de imagem masculina. O portfólio vai além do corte: inclui consultoria de imagem, protocolos de visagismo, diagnósticos capilares e, mais recentemente, estética avançada com procedimentos como botox e harmonização facial realizados dentro das unidades.

A estratégia é clara: aumentar ticket médio, recorrência e retenção. Na unidade de São Paulo, a frente estética tem potencial de gerar cerca de R$ 500 mil mensais, enquanto o espaço de experiências e eventos, o THE ROOF 448, projeta movimentar aproximadamente R$ 300 mil por mês — receitas ainda não incorporadas oficialmente ao orçamento de 2026.

Os números da operação paulista explicam o foco. Em menos de um ano, a unidade alcançou margem EBITDA superior a 30%, com cerca de 1.000 clientes mensais e taxa de fidelização de 85%. A expectativa é que represente 50% do faturamento total já em 2026.

Não por acaso, o plano de expansão passa por bairros estratégicos da capital, como Moema e Jardins, além da possível transferência da sede para eixos como Faria Lima ou Paulista — movimento que combina posicionamento de marca com proximidade ao público de alta renda.

No longo prazo, a empresa projeta 30 unidades até 2030 e avalia a entrada de capital para acelerar a expansão. Mais do que crescer em número de lojas, a ambição é reposicionar um mercado inteiro.

“Nosso objetivo é acelerar resultados na vida dos nossos clientes através da imagem. Quando você ajusta a forma como a pessoa se enxerga, você impacta diretamente como ela se posiciona no mundo — nos negócios, nos relacionamentos e na vida”, afirma Quirino.

No fim, a Côrte Visagismo opera em um território onde estética deixou de ser vaidade. Tornou-se estratégia — e, como todo mercado que muda de patamar, tende a premiar quem chega primeiro com modelo, marca e escala.

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