Mulheres ganham espaço no agro, mas poder de decisão ainda é masculino, diz estudo

Por César H. S. Rezende 9 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Mulheres ganham espaço no agro, mas poder de decisão ainda é masculino, diz estudo

A participação feminina no agronegócio brasileiro cresceu mas o poder de tomada de decisão ainda é masculino. Esse é um dos resultados do estudo rotagonismo e impacto: a presença das mulheres no agronegócio brasileiro”, realizado pelo PwC Agtech Innovation e divulgado neste domingo, 8.

Segundo o levantamento, em 59% das companhias representadas pelos entrevistados a tomada de decisão é vista como responsabilidade exclusiva de homens. Apenas 17% das decisões são atribuídas a mulheres, enquanto o equilíbrio entre gêneros aparece em 22% dos casos.

A pesquisa reuniu dados quantitativos e qualitativos para analisar a participação feminina no setor.

Ao todo, foram 427 respondentes na etapa quantitativa, entre homens e mulheres, além de entrevistas com três especialistas em equidade de gênero e 13 mulheres atuantes na cadeia do agronegócio.

Os resultados indicam uma contradição: embora haja reconhecimento do valor da diversidade no setor, a prática nas empresas ainda mostra forte predominância masculina nos espaços de poder.

Para Mayra Theis, sócia e líder do setor de Agronegócios da PwC Brasil, os números revelam espaço para avanços estruturais no setor.

“Ainda existem oportunidades relevantes para ampliar a presença feminina em posições decisórias de forma efetiva, diz a executiva.

Apesar disso, homens e mulheres que participaram do levantamento reconhecem contribuições importantes da presença feminina no setor.

Segundo o estudo, os principais impactos da atuação das mulheres no agro estão ligados a inovação e visão estratégica (49%), liderança e gestão (44%) e capacidade de adaptação e resiliência (44%).

“As mulheres atuam de forma consistente em diferentes níveis da cadeia produtiva, contribuindo para processos decisórios qualificados e ambientes de negócios diversos”, diz Theis.

Salário desigual

Mesmo com esse reconhecimento, a pesquisa mostra que a percepção de desigualdade permanece disseminada no setor. 73% dos participantes afirmam que homens e mulheres não têm as mesmas oportunidades no agronegócio.

Entre as mulheres entrevistadas, os principais desafios de carreira estão relacionados ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além de salários incompatíveis com as funções exercidas e falta de reconhecimento profissional.

O ambiente de trabalho também aparece como ponto sensível no estudo. Segundo o levantamento, 79% dos homens e mulheres ouvidos reconhecem que as mulheres enfrentam situações constrangedoras no ambiente profissional.

Além disso, 74% dos participantes apontam a falta de condições adequadas para mães nos locais de trabalho, o que indica a necessidade de políticas mais estruturadas de apoio à maternidade dentro das empresas do setor.

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