Mundo investe 33 vezes mais destruindo a natureza do que preservando, revela relatório
A perda de biodiversidade está entre as ameaças mais sérias aos negócios, mas a realidade distorcida é que parte das empresas ainda acha mais lucrativo degradar do que proteger.
Em 2023, o mundo investiu US$ 7,3 trilhões em atividades com impactos diretamente negativos na natureza, enquanto apenas US$ 220 bilhões foram direcionados à conservação e restauração da biodiversidade.
O desequilíbrio alarmante representa um investimento 33 vezes maior na "destruição" do que na preservação e foi revelado por um relatório inédito da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), aprovado por representantes de mais de 150 governos nesta segunda-feira, 9.
O levantamento fruto de um trabalho longo de três anos por 79 especialistas de 35 países, traz uma mensagem ao setor privado: empresas podem liderar a mudança transformadora necessária ou "arriscar extinção tanto de espécies na natureza, mas potencialmente também a sua", segundo Matt Jones, coautor do estudo.
Dos US$ 7,3 trilhões com impactos negativos, US$ 4,9 trilhões vieram de finanças privadas e US$ 2,4 trilhões de subsídios públicos ambientalmente prejudiciais. Em contraste, os US$ 220 bilhões destinados à biodiversidade representam apenas 3% dos fundos públicos.
Outro dado mostra que menos de 1% das companhias que reportam publicamente seus impactos ESG mencionam seus impactos na natureza.
Paradoxalmente, até as companhias que parecem distantes do meio ambiente dependem, direta ou indiretamente, de insumos materiais, regulação de condições ambientais e climáticas — como mitigação de eventos extremos e abastecimento de água — e contribuições não materiais, como espaços para turismo, recreação e educação.
E a lacuna de transparência se estende ao setor financeiro: uma pesquisa recente com instituições financeiras representando 30% da capitalização de mercado global identificou que as três principais barreiras para maior adoção de avaliação e gestão de riscos relacionados à natureza são acesso a dados e modelos confiáveis, além de projeções.
"Muitas vezes, as empresas gastam mais tempo tentando decifrar estruturas complexas e concorrentes para conformidade e relatórios do que tomando ações significativas", destacou Stephen Polasky, coautor do estudo.
Para o executivo, o que é mais poderoso dos novos dados é ajudar a decifrar quais métodos, métricas e ferramentas políticas são apropriadas para o escopo do negócio.
Quem paga a conta da destruição?
O desenvolvimento industrial ameaça 60% das terras indígenas ao redor do mundo, e um quarto de todos os territórios de povos originários está sob alta pressão de exploração de recursos. Ainda segundo o estudo, estas comunidades mais vulneráveis se encontram marginalizadas na tomada de decisões.
Desde 1992, houve um aumento médio de 100% per capita no capital produzido pelo ser humano, enquanto os estoques de capital natural foram reduzidos em 40%.
Entre 1820 e 2022, a economia global cresceu de US$ 1,18 trilhão para US$ 130,11 trilhões (em dólares de 2011), mas esse crescimento ocorreu às custas de imensa perda de biodiversidade, que agora representa um risco sistêmico crítico para a economia, estabilidade financeira e bem-estar humano.
De acordo com o pesquisador Polasky, degradar pode parecer lucrativo no curto prazo, mas impactos em múltiplos negócios podem ter efeitos cumulativos, levando a pontos de inflexão ecológicos a nível global.
O relatório também deixa claro que as condições atuais nas quais as empresas operam nem sempre são compatíveis com um futuro justo e sustentável e propõe mais de 100 ações concretas.
Os pesquisadores ressaltam que o objetivo é ser uma contribuição vital aos esforços de empresas, governos, atores financeiros e toda a sociedade para cumprir as metas do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e limitar o aquecimento global a 1.5ºC conforme o estabelecido pelo histórico Acordo de Paris.
Inger Andersen, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), destacou que "ao identificar riscos antecipadamente, podemos ajudar a prevenir custos crescentes como o preços mais altos de alimentos, aumento de prêmios de seguro e instabilidade econômica, que afetam famílias e comunidades em todo o mundo", concluiu.
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