Musk diz que foi 'ingênuo' ao financiar OpenAI e acusa desvio de missão

Por André Lopes 30 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Musk diz que foi 'ingênuo' ao financiar OpenAI e acusa desvio de missão

Elon Musk afirmou em tribunal que foi 'um tolo' ao financiar a OpenAI, dizendo que a organização se afastou de sua proposta original sem fins lucrativos. O depoimento faz parte de um julgamento federal na Califórnia que coloca o empresário contra a OpenAI, seus cofundadores e a Microsoft, principal parceira da empresa.

Para quem chega agora ao tema: a OpenAI foi criada em 2015 como uma organização voltada a desenvolver inteligência artificial de forma aberta e segura. Musk participou do início, mas deixou o projeto em 2018, alegando falta de tempo e divergências internas.

Segundo Musk, ele investiu entre US$ 38 milhões e US$ 100 milhões para ajudar a criar a OpenAI, que hoje pode valer até US$ 800 bilhões. No processo, ele pede uma indenização de US$ 150 bilhões e quer reverter mudanças na estrutura da empresa.

O principal ponto da disputa é a transformação da OpenAI. A organização criou uma divisão com fins lucrativos, chamada modelo capped-profit, limite de retorno financeiro para investidores. Na prática, isso permitiu atrair grandes aportes de empresas.

A virada mais importante veio em 2023, quando a Microsoft investiu cerca de US$ 10 bilhões após o sucesso do ChatGPT. O ChatGPT é um programa de conversa com inteligência artificial que se popularizou rapidamente e impulsionou o valor da OpenAI.

Musk afirma que essa mudança descaracterizou a missão original da entidade. Ele diz que não se opôs inicialmente à criação de uma empresa, desde que o controle permanecesse com a organização sem fins lucrativos, o que, segundo ele, não aconteceu.

A relação entre Musk e os atuais líderes da OpenAI, Sam Altman, diretor-executivo, e Greg Brockman, presidente, também se deteriorou. No tribunal, Musk os acusou de conduzir a empresa de forma enganosa. A defesa rebateu apresentando e-mails antigos que sugerem que o próprio Musk considerou estruturas comerciais no passado.

Disputa reflete corrida bilionária por inteligência artificial

O caso vai além de um conflito pessoal. Ele expõe como empresas de tecnologia passaram a disputar espaço no mercado de inteligência artificial, hoje um dos mais valiosos do setor.

A Microsoft usa tecnologia da OpenAI em produtos como o Copilot, assistente digital integrado a softwares. Ao mesmo tempo, Musk criou sua própria empresa, a xAI, responsável pelo chatbot Grok, concorrente direto do ChatGPT.

Advogados da OpenAI argumentam que o processo pode tentar frear o avanço da empresa rival. Musk nega e diz que a ação busca corrigir o que considera uma quebra de acordo.

O julgamento deve durar semanas e pode influenciar como empresas de tecnologia estruturam projetos de inteligência artificial, equilibrando objetivos comerciais e compromissos públicos.

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