Na Coreia do Sul, vilas que usam energia solar crescem após guerra do Irã
A escalada das tensões no Oriente Médio, que pressionou os preços do petróleo e expôs a vulnerabilidade de países dependentes de energia importada, está acelerando mudanças na política energética da Coreia do Sul.
Um dos principais reflexos desse movimento é a expansão de vilas que utilizam energia solar para financiar serviços comunitários. O governo sul-coreano pretende criar cerca de 700 dessas comunidades em 2026 — um salto em relação às cerca de 150 existentes atualmente — dentro de um plano que prevê alcançar 2.500 projetos até 2030.
A estratégia faz parte de um esforço mais amplo para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, que hoje respondem por grande parte da matriz energética do país. A Coreia do Sul importa mais de 90% de sua energia primária. Desse total, cerca de 70% é petróleo bruto, que passa pelo estreito de Hormuz, região afetada por tensões geopolíticas.
Em entrevista ao The Guardian, o ministro do Clima, Energia e Meio Ambiente, Kim Sung-whan, afirmou que a guerra no Oriente Médio está acelerando a transição global para energias renováveis e que o país precisa acompanhar esse movimento.
Energia solar vira renda para comunidades
Na prática, o modelo transforma a geração de energia em fonte de financiamento local.
Em Guyang-ri, uma vila agrícola com cerca de 70 famílias, um sistema solar de um megawatt instalado em 2022 gera aproximadamente 10 milhões de won (quase R$ 34 mil) por mês em lucro líquido.
Os recursos são usados para custear refeições gratuitas seis dias por semana, transporte para idosos, atividades culturais e infraestrutura comunitária.
Antes do projeto, a vila tinha pouca estrutura e quase nenhum serviço coletivo. Com a renda da energia solar, passou a oferecer benefícios compartilhados e fortalecer a convivência entre os moradores.
Incentivos impulsionam expansão
A ampliação dessas comunidades foi impulsionada por políticas públicas e incentivos à energia solar.
O governo destinou cerca de 500 bilhões de won (quase R$ 1,7 bilhão) em orçamento suplementar para a transição energética e elevou o apoio anual a projetos renováveis para 1,1 trilhão de won (R$ 3,7 bilhões).
Também serão oferecidos cerca de 400 bilhões de won (R$ 1,3 bilhão) em empréstimos com juros baixos para acelerar a instalação de sistemas solares nas vilas.
Apesar do avanço, a expansão enfrenta desafios, como limitações na capacidade da rede elétrica em algumas regiões e a dependência de cadeias globais de fornecimento, especialmente da China, principal fornecedora de painéis solares.
Ainda assim, o governo aposta no modelo como uma forma de combinar geração de energia limpa com benefícios diretos à população — e reduzir a exposição do país a choques externos em um cenário de instabilidade global.
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