Na mira de Netflix e Paramount, Warner tem prejuízo de US$ 252 mi no 4º tri
Em uma Hollywood cheia de grandes sagas nas telas, a venda da Warner Bros. Discovery (WBD) tem sido uma das tramas mais interessantes de se acompanhar. Disputada pelas gigantes Netflix e Paramount Skydance, a empresa e seu vasto portfólio de propriedade intelectual se tornaram a bola da vez do mercado de mídia global.
O interesse das rivais não se refletiu no desempenho financeiro da empresa.
No balanço publicado na manhã desta quinta-feira, 26, a Warner afirmou ter registrado prejuízo líquido de US$ 252 milhões no quarto trimestre de 2025, com receita total de US$ 9,46 bilhões. É queda de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Warner segue em trajetória financeira descendente
Os números do quarto trimestre revelam uma empresa em contração em quase todas as frentes e com uma dívida multibilionária.
Segundo a WBD, a receita publicitária caiu 9% no período, com metade desse recuo ligado à ausência dos jogos de basquete da NBA na grade da Turner.
Já as receitas do estúdio caíram 13% na comparação com o mesmo trimestre de 2024, principalmente em razão da menor venda de conteúdos. O faturamento das redes lineares globais também recuou 12%.
O EBITDA ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) do trimestre foi de US$ 2,2 bilhões, queda de 20% em relação ao mesmo período de 2024, de acordo com o balanço.
No acumulado de 2025, a receita total foi de US$ 37,3 bilhões, uma redução de 5% em relação ao ano anterior.
Outra questão que pesa na conta da Warner é sua dívida líquida multibilionária. A companhia terminou o ano com US$ 29 bilhões em dívida líquida, o que representa uma alavancagem de 3,3 vezes o EBITDA, conforme informou no balanço.
Destaque em estúdios e streaming
Nem tudo foi negativo no resultado: a área de estúdios ajudou a equilibrar a conta. De acordo com a carta aos acionistas, nove filmes da Warner abriram em primeiro lugar nas bilheterias em 2025, e o segmento encerrou o ano com US$ 4,4 bilhões nas bilheterias globais.
Com US$ 2,55 bilhões em EBITDA ajustado, o segmento de estúdios da Warner Bros. Discovery registrou crescimento de 52% na comparação anual, superando as próprias projeções da empresa e mostrando por que Netflix e Paramount ainda lutam pela aquisição do catálogo e infraestrutura da Warner.
O streaming também avançou: a HBO Max encerrou 2025 com quase 132 milhões de assinantes, superando a meta de 130 milhões estabelecida em 2022. A divisão mais que dobrou seu EBITDA ajustado no ano, chegando a US$ 1,37 bilhão.
Séries como "It: Bem Vindos a Derry", com média de 27 milhões de espectadores globais por episódio, e "Heated Rivalry", que se tornou a primeira série adquirida pelo HBO Max com 13 milhões de espectadores por episódio, ilustram a força do catálogo, segundo a carta aos acionistas.
No primeiro trimestre deste ano, a empresa projeta chegar a 140 milhões de assinantes. Até o final de 2026, a meta é ultrapassar 150 milhões.
Netflix vs. Paramount: quem é a campeã nas finanças?
A questão central do momento é a seguinte: para onde irá a Warner nesse próximo ano? Entre Netflix e Paramount, a empresa que arrematará a WBD pode ser definida pelas finanças do último ano.
A Netflix é a atual vencedora, com uma receita de US$ 12 bilhões no quarto trimestre de 2025, com lucro por ação de US$ 0,56 e crescimento de receita de 17,6% em relação ao ano anterior, segundo o The Hollywood Reporter.
A plataforma também revelou ter ultrapassado 325 milhões de assinantes pagantes globais no trimestre e informou que sua receita publicitária cruzou a marca de US$ 1,5 bilhão ao longo de 2025.
Em dezembro, a Warner aceitou uma proposta de aquisição pela Netflix avaliada em US$ 83 bilhões.
O acordo prevê a separação prévia da Discovery, que passaria a operar como empresa independente, para que a Netflix fique com os estúdios Warner Bros., o streaming e a HBO.
A Paramount Skydance, no entanto, não desistiu.
A empresa registrou uma receita de US$ 8,15 bilhões no quarto trimestre de 2025 — alta de 2% em relação ao ano anterior —, mas com prejuízo operacional de US$ 339 milhões e EBITDA ajustado de US$ 612 milhões, segundo o The Hollywood Reporter.
Apesar dos números mais modestos, a Paramount quer a Warner inteira, com estúdios, streaming e Discovery. A empresa sinalizou disposição para pagar um prêmio.
"Vemos a WBD como um acelerador para atingir nossos objetivos mais rapidamente", disse o CEO David Ellison em carta aos investidores.
A WBD confirmou em sua carta aos acionistas que o conselho avaliou a proposta mais recente da Paramount Skydance e concluiu que ela "poderia razoavelmente resultar em uma proposta superior" nos termos do acordo com a Netflix — sem, no entanto, recomendar a mudança.
"O conselho permanece comprometido em maximizar o valor e a certeza para os acionistas", diz o comunicado, que encerra o assunto com uma frase direta: "Não responderemos perguntas sobre este tema durante nossa conferência de resultados."
Qual é o futuro da Warner?
O desfecho da disputa ainda é incerto. Segundo o The Hollywood Reporter, a estrutura mais provável segue sendo a separação da WBD em duas empresas independentes — com David Zaslav à frente da Warner Bros. e o atual CFO Gunnar Wiedenfels assumindo a Discovery Global —, mas tudo depende de qual proposta o conselho e os acionistas aprovarem.
O que a Warner deixa claro em sua carta aos acionistas é que pretende seguir investindo independentemente do resultado.
Para 2026, a empresa prevê lançar filmes como "Supergirl" e "Dune: Messiah", expandir a HBO Max para o Reino Unido e Irlanda em 26 de março, lançar o aplicativo TNT Sports nos Estados Unidos e abrir experiências temáticas de Harry Potter em Xangai e Abu Dhabi.
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