Na Ypê, educação básica para funcionários virou estratégia de RH e transformou carreiras na empresa
A decisão de investir na educação básica dos colaboradores pode colocar o RH como agente estratégico nas empresas brasileiras, para combater desafios históricos como o analfabetismo, que atingia 7% da população acima de 15 anos em 2022 segundo o Censo do IBGE (Intituto Brasileiro de Geografia e Estatística), número que representa 11,4 milhões de pessoas incapazes de ler e escrever um bilhete simples.
Na Ypê, esse movimento ganhou forma em 2018 com a criação do EducarY, iniciativa que nasceu a partir de um diagnóstico interno e hoje já impacta diretamente a cultura, o engajamento e a mobilidade interna.
Um diagnóstico que mudou a estratégia de desenvolvimento
O ponto de partida foi a identificação de uma lacuna relevante na formação dos colaboradores.
“Identificamos que parte dos nossos colaboradores não havia concluído o ensino fundamental ou médio na idade regular”, afirma Cristiane Lacerda, Diretora Executiva de Gente, Cultura e Responsabilidade Social na Ypê.
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Segundo ela, a evolução dos processos exigia novas competências. “Para garantir segurança, eficiência operacional e desenvolvimento sustentável, precisávamos atuar na base educacional.”
A constatação levou a empresa a ampliar o olhar sobre educação corporativa.
Em vez de concentrar esforços apenas em treinamentos técnicos, o RH passou a estruturar uma jornada que começa na formação básica.
Educação como alavanca de carreira e inclusão
A iniciativa rapidamente se consolidou como um pilar estratégico dentro da companhia.
Ao oferecer a possibilidade de conclusão dos estudos, o programa passou a atuar diretamente no desenvolvimento humano e profissional dos colaboradores.
“A educação é uma força transformadora, capaz de ampliar horizontes profissionais e pessoais”, destaca Cristiane. “Ao investir na conclusão do ensino básico, promovemos autonomia, autoestima e inclusão.”
Esse movimento também abre portas para novas etapas de desenvolvimento. A formação básica passa a ser o ponto de partida para cursos técnicos, graduação e crescimento dentro da própria organização.
O verdadeiro impacto do programa
Os resultados do EducarY ganham dimensão concreta nas trajetórias dos colaboradores.
Um dos exemplos é o de Luis Roberto de Castro, de 64 anos, operador de produção com mais de três décadas na empresa, que voltou a estudar após anos afastado da sala de aula.
“Eu sempre tive vontade de terminar os estudos”, conta. A oportunidade oferecida pela empresa foi decisiva. “Quando surgiu a oportunidade aqui, eu pensei, essa eu não posso perder.”
O retorno não foi simples. Após décadas sem estudar, ele precisou se readaptar ao ritmo e às exigências do aprendizado.
“Voltar a estudar nunca é fácil, principalmente depois de muito tempo parado. Mas é muito gostoso. Aos poucos, a gente vai entrando no ritmo.”
(Luis Roberto de Castro, de 64 anos, operador de produção com mais de três décadas na empresa)
Um dos diferenciais do programa está na adaptação à realidade dos colaboradores.
No caso de Luis Roberto, a limitação visual exigiu soluções específicas para garantir o aprendizado.
“Prepararam um computador especialmente para mim, por causa da minha dificuldade visual. Isso fez toda a diferença”, relata.
Esse tipo de suporte reforça uma das principais diretrizes do programa, que é tornar a educação acessível e viável para diferentes perfis, respeitando limitações e trajetórias individuais.
Impacto direto no engajamento e na cultura
Desde sua criação, o EducarY já possibilitou que cerca de 150 colaboradores concluíssem os estudos.
Para a Ypê, o número reflete mais do que formação acadêmica. Representa transformação cultural.
“São trajetórias que ganharam um novo sentido”, afirma Cristiane.
“Cada colaborador que conclui seus estudos fortalece a nossa cultura de aprendizado contínuo.”
A empresa também observa efeitos em indicadores internos. Participantes do programa apresentam maior engajamento, vínculo com a organização e abertura para novas oportunidades.
Mobilidade interna como consequência
A conclusão da educação básica amplia o acesso a vagas internas e programas de desenvolvimento, criando um ciclo positivo dentro da organização.
“Os participantes demonstram maior abertura para novas trilhas e ampliam suas possibilidades de crescimento”, explica Cristiane.
Esse movimento fortalece a retenção de talentos e reduz a necessidade de buscar profissionais prontos no mercado, especialmente em um cenário de escassez de mão de obra qualificada.
Um modelo de RH que inspira o mercado
O principal aprendizado da iniciativa aponta para um novo olhar sobre educação corporativa. Mais do que oferecer treinamentos pontuais, é necessário construir soluções inclusivas e alinhadas à realidade das pessoas.
“Oferecer oportunidades reais, acessíveis e adaptadas gera resultados consistentes”, afirma Cristiane.
Para quem vivenciou o programa, o impacto é direto e duradouro.
“Sem estudo, hoje, a gente não é nada”, resume Luis Roberto. “Esse programa transforma a vida das pessoas.”
O caso da Ypê mostra que o investimento em educação básica dentro das empresas não é apenas uma ação social, mas uma estratégia de negócio.
Ao fortalecer a base, o RH amplia o potencial dos colaboradores, sustenta o crescimento da organização e constrói, de forma concreta, o futuro do trabalho dentro de casa.
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