‘Não adianta querer o topo sem estar pronto’, diz conselheira que cresceu degrau por degrau
Poucos espaços no mundo corporativo são tão fechados quanto os conselhos de administração. É ali que os executivos são cobrados por resultados, balanços são examinados linha por linha, riscos são expostos sem filtro e decisões que afetam milhares de funcionários passam por poucas mãos.
Não é um ambiente fácil. Mas Jandaraci Araújo está acostumada. São quase sete anos ocupando a cadeira de conselheira, além das quase três décadas em posições executivas. Para ela, o segredo para crescer na carreira está em uma regra de ouro que a acompanha: não adianta almejar o topo sem estar pronto.
Foi por isso que, ao longo da carreira, ela apostou em cursos, experiências internacionais e no estudo contínuo para ocupar espaços que muitos desejam, mas poucos se preparam para assumir. Em entrevista exclusiva à EXAME, a executiva compartilhou as principais lições que aprendeu sobre crescimento profissional, liderança e permanência em ambientes de alta pressão.
O que é preciso para chegar ao topo?
A entrada de Jandaraci nos conselhos não foi resultado de um convite inesperado. Ela começou a se preparar anos antes, buscando formações específicas em governança, finanças e estratégia. “Não adianta só querer estar no lugar. Precisa estar pronto para estar nesse lugar”, diz.
Na prática, isso significou estudar temas que não faziam parte de sua rotina anterior, entender o funcionamento dos conselhos e se familiarizar com indicadores, relatórios e modelos de decisão. Para ela, esperar a vaga surgir para só então correr atrás do preparo é um erro recorrente.
Transforme estudo em hábito
A conselheira passou por programas de longa duração, cursos no Brasil e no exterior e formações voltadas exclusivamente para atuação em conselhos. Um deles foi o ABP-W, um programa avançado da Saint Paul para diretoras, c-levels e CEOs que sonham em ocupar a posição de conselheiras.
Ela defende que a qualificação não pode ser tratada como algo pontual, ligado apenas a promoções. No ambiente corporativo atual, mudanças regulatórias, novas tecnologias e transformações setoriais exigem atualização permanente.
Técnica abre portas, mas postura mantém
Nos conselhos, dominar números é obrigatório. Mas não garante permanência. Jandaraci afirma que muitos profissionais tecnicamente preparados perdem espaço por não saber conduzir conversas difíceis.
“Você precisa saber se posicionar sem transformar tudo em confronto.”
A habilidade de argumentar, ouvir, negociar e recuar quando necessário faz parte do jogo. Em reuniões tensas, a forma como alguém apresenta um ponto costuma pesar tanto quanto o conteúdo.
Fortaleça o emocional para ambientes hostis
Ambientes de poder são, por definição, competitivos. No caso de mulheres negras, a pressão tende a ser maior. “Eu me preparei psicologicamente para estar nesses lugares”, conta.
Esse preparo envolve autoconhecimento, redes de apoio e construção de limites. Ela não defende tolerar abusos, mas entende que é preciso desenvolver recursos para não carregar tudo para a vida pessoal. “Se você não aguenta emocionalmente, isso te quebra”, reforça.
Construa redes, não apenas contatos
Durante sua formação, ela criou vínculos que se mantêm ativos até hoje. A troca com profissionais de diferentes setores ampliou sua visão sobre negócios e gestão. “O melhor do ABP-W foram as pessoas.”
Para Jandaraci, networking não é coleção de cartões, mas convivência, confiança e disponibilidade mútua. Relações sólidas costumam abrir portas que currículos sozinhos não abrem.
Propósito orienta decisões difíceis
Uma das mensagens que ela repete às filhas é não esquecer a própria história. Honrar quem veio antes, afirma, ajuda a manter coerência ao longo do tempo. Ter clareza de propósito permite recusar atalhos incompatíveis com os próprios valores e sustentar escolhas impopulares quando necessário.
“Eu não vou mudar o mundo. Mas posso mudar o que está ao meu alcance”, defende.
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