Não é só frio: por que cachorros pequenos tremem tanto

Por Vanessa Loiola 23 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Não é só frio: por que cachorros pequenos tremem tanto

O tremor em cães é um comportamento que costuma chamar a atenção. Embora o frio seja uma das causas mais conhecidas, a explicação vai além. Segundo especialistas ouvidos pela Popular Science, os movimentos involuntários em cachorros — sobretudo os de pequeno porte — envolvem fatores fisiológicos, ambientais e até emocionais.

De acordo com Carlo Siracusa, especialista em comportamento veterinário da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia, tutores de cães pequenos relatam tremores com mais frequência do que donos de raças maiores. Embora não exista um estudo definitivo comparando o fenômeno entre diferentes tamanhos, a observação clínica sugere que os cachorros menores parecem tremer mais.

Termorregulação explica

Uma das principais explicações está na termorregulação, mecanismo que mantém a temperatura corporal estável. Cães de pequeno porte perdem calor mais rapidamente porque têm maior área de superfície em relação à massa corporal.

Para John Speakman, professor de biologia da Universidade de Aberdeen, na Escócia, cachorros pequenos queimam cerca de 60% mais energia por grama de tecido corporal do que cães grandes — um fenômeno observado em diversas espécies. Quanto menor o corpo, maior a dissipação de calor.

Quando a perda térmica supera a produção de calor, o organismo reage com contrações musculares rápidas: o tremor.

Um estudo de 2023, disponível no repositório internacional Europe PMC, reforça que cães menores dedicam uma parcela maior do metabolismo para se manter aquecidos, destacando que a física do tamanho corporal tem impacto direto na fisiologia.

Além disso, raças menores vivem mais próximas do chão, onde o ar frio tende a se concentrar. Temperaturas consideradas confortáveis para humanos podem ser frias para um animal de dois quilos.

Nem sempre é frio

Embora o frio seja uma causa comum, nem todo tremor está ligado à temperatura. Problemas neurológicos, efeitos colaterais de medicamentos e condições específicas também podem estar por trás do comportamento.

Uma delas é a chamada síndrome do tremor generalizado idiopático, popularmente conhecida como “síndrome do pequeno tremor branco”. Apesar do nome, a condição pode afetar cães de qualquer cor, embora seja mais frequente em raças pequenas como Maltês e West Highland White Terrier.

Medicamentos como antialérgicos e fármacos que atuam na serotonina também podem provocar tremores como efeito colateral.

O fator emocional é outro ponto relevante. Situações de medo ou estresse ativam hormônios que aumentam a tensão muscular. Cães pequenos, por serem mais facilmente manipulados pelos tutores, podem ser expostos involuntariamente a estímulos que os deixam ansiosos. Nesses casos, o tremor pode ser um sinal de desconforto.

Quando procurar um veterinário?

Se o cão estiver em ambiente tranquilo, aquecido e ainda assim continuar tremendo por longos períodos, é recomendável buscar avaliação veterinária. Tremores breves durante o sono podem estar ligados a sonhos, mas episódios persistentes merecem atenção.

Para casos relacionados ao frio, especialistas sugerem oferecer camas aquecidas, cobertores ou roupas apropriadas para cães pequenos. Ajustes simples no ambiente podem reduzir significativamente os tremores.

Ainda não há estudos conclusivos que comprovem que cães pequenos tremem mais do que cachorros grandes. No entanto, fatores físicos, metabólicos e comportamentais ajudam a explicar por que o fenômeno é mais frequentemente observado em raças de pequeno porte.

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