Não sabe como combinar comida e cerveja? O Fogaça te ensina
A cerveja é a bebida alcoólica mais consumida no Brasil, com 15,34 bilhões de litros produzidos nacionalmente em 2024, de acordo com dados do Anuário da Cerveja de 2025 do Governo Federal. Comparativamente, o vinho, mais comumente associado à gastronomia, teve 490 milhões de litros comercializados no país em 2025, segundo dados do seminário Adega Ideal.
Apesar do amplo consumo, a harmonização com cerveja em refeições ainda não é uma prática tão comum. Ela não precisa ser complicada ou luxuosa, e, para explicar as bases por trás de uma boa combinação, o chef Henrique Fogaça conversou com a EXAME.
O ponto de partida, segundo ele, é educar o paladar antes de qualquer combinação.
"A dica de ouro é começar a degustar com mais cuidado a cerveja. Sentir a acidez, o lúpulo da cerveja — o amargor, o frescor — e começar a entender, dentro das papilas gustativas, a bebida. Aí você começa a fazer o contraponto, o contraste ou a continuidade da harmonização", diz Fogaça.
Harmonização por semelhança
Uma das formas mais comuns de harmonização entre comidas e bebidas é apostar na semelhança.
"Você pode ter uma sobremesa doce e tomar uma cerveja que é meio adocicada — aí ela que vai junto na mesma linha", exemplifica o chef. A lógica é que sabores próximos tendem a se complementar sem que um sobressaia sobre o outro.
Uma das diferenças centrais entre cerveja e vinho na hora de harmonizar é o teor alcoólico. A cerveja, em geral mais leve, abre espaço para combinações que o vinho muitas vezes não comporta.
"Enquanto um vinho pode sobrar numa harmonização com pratos leves como frutos do mar, peixes, frango ou saladas, a cerveja já vai ser uma ótima opção", diz Patrícia Sakakura, especialista em cervejas da Eisenbahn à EXAME. "Cervejas adocicadas vão funcionar com pratos adocicados. Sobremesas vão funcionar muito bem com uma cerveja de trigo, por exemplo."
A diretriz mais básica, segundo Sakakura, é simples: "Cervejas leves com pratos leves e cervejas intensas com pratos mais gordurosos e mais intensos."
Uma IPA, por exemplo, com amargor mais marcante e teor alcoólico mais alto, combina com pratos com personalidade equivalente, como carnes defumadas, queijos fortes ou hambúrgueres.
Harmonização por contraste
Para quem tem um paladar mais aventureiro, outra linha possível é combinar sabores mais distintos e deixar que a tensão entre eles crie algo novo.
"Se eu tenho algo doce e tomo uma IPA, algumas notas dessa doçura podem se complementar com o amargor e equilibrar", explica Fogaça.
O resultado não é o cancelamento de um sabor pelo outro, mas uma terceira experiência: "A mágica é quando o terceiro sabor — que é os dois juntos na boca — seja ainda melhor do que eles provados individualmente", diz Sakakura.
A carbonatação é um dos recursos mais úteis nesse tipo de combinação. As borbulhas da cerveja funcionam como limpeza de paladar, cortando a gordura de pratos mais pesados. "Até mesmo a Pilsen, mais leve, pode funcionar em uma harmonização mais intensa com um petisco", diz Sakakura.
Além do teor de gordura e do amargor, ela lembra que outros fatores importam: "É importante também perceber as formas de cocção e o nível dos temperos do prato, porque isso vai influenciar muito na experiência."
Fogaça: chef, empresário e jurado do Masterchef
Henrique Fogaça é uma figura que muitos brasileiros conhecem por sua presença na televisão. O chef é um dos jurados do "Masterchef Brasil" desde a primeira temporada do reality show, transmitida em 2014.
Desde então, ele apenas não esteve presente na temporada de 2023 do programa. A personalidade rockeira de Fogaça já rendeu a ele posição de jurado em mais quatro versões do reality: o "Masterchef Júnior", "Masterchef Profissionais", "Masterchef Celebridades" e "Masterchef Confeitaria".
Apesar desse lado midiático, Fogaça diz que a base de tudo que ele faz é a cozinha. "Eu sou um cozinheiro raiz com lado empresário", afirma.
Ele conta que a entrada no mundo dos negócios foi gradual. "Comecei vendendo hambúrguer na rua, comida na rua, trabalhando em loja de conveniência. Fui fazendo aos poucos", conta. Para quem quer empreender, o conselho é começar pequeno e não deixar o medo paralisar: "O não, o mundo já te deu. Tira o medo da frente e começa pequeno — menos é mais. Faz seis sanduíches, vende, começa, vê o público. Pé no chão."
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: