Não vamos abrir mão de investimentos por nada, diz CEO do Bradesco

Por Clara Assunção 7 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Não vamos abrir mão de investimentos por nada, diz CEO do Bradesco

O Bradesco não pretende abrir mão de investimentos para acelerar resultados no curto prazo. A mensagem foi reforçada pelo CEO do banco, Marcelo Noronha, durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, 6, para comentar os resultados do quarto trimestre de 2025 e o guidance para 2026.

Segundo o executivo, a estratégia do banco segue focada no ganho de competitividade ao longo do ciclo de transformação até 2028.

"A gente não vai abrir mão de investimentos para aumentar a competitividade por nada", afirmou Noronha.

O executivo destacou que o plano estratégico do banco foi desenhado com horizonte de longo prazo e tem como pilares investimentos contínuos em tecnologia, além de programas de ampliar a competividade. "Se você quiser resumir todo o plano, ele se resume no seguinte: aumentar competitividade no fundo do longo prazo", disse.

Ações do Bradesco caem forte: 'mercado cobra mais do que os chefes'

As declarações vieram em um dia de reação negativa do mercado às projeções divulgadas pelo banco. Por volta das 11h, as ações ordinárias e preferenciais do Bradesco (BBDC3 e BBDC4) as duas maiores quedas do pregão, com recuos de 3,69% e 4,40%, respectivamente, mesmo com o Ibovespa em leve alta de 0,07%, aos 182.338 pontos.

Parte desse movimento reflete expectativas mais elevadas dos investidores em relação às projeções do banco para este ano.

Mais cedo, analistas do Itaú BBA destacaram a orientação para 2026 como "conservadora no ponto médio".

O banco destacou que sua estimativa de lucro de R$ 29,2 bilhões está próxima do teto da faixa indicada pelo Bradesco e lembrou que a instituição superou significativamente o ponto médio do guidance em duas ocasiões desde 2024.

Ainda segundo o Itaú BBA, a projeção de crescimento da receita de tarifas, entre 3% e 5%, e do segmento de seguros, entre 6% e 8%, parece cautelosa diante do desempenho de 2025, quando esses números avançaram 9% e 16%, respectivamente.

"O mercado cobra mais do que os chefes, cobra mais do que o meu conselho", rebateu o CEO do Bradesco. De acordo com ele, havia uma expectativa de que o banco entregasse resultados na faixa de R$ 30 bilhões ou R$ 31 bilhões em lucro, o que não está alinhado à estratégia definida pela instituição.

"Não dá para fazer isso esquecendo a competitividade. A gente não vai crescer 30% ao ano o lucro líquido direto e comprometer isso", disse.

O CEO ressaltou que o guidance divulgado prevê um intervalo e que o banco não pretende operar abaixo do retorno sobre patrimônio já alcançado. "A gente não vai entregar um ROE menor do que esse que a gente entregou aqui", afirmou, referindo-se ao Retorno sobre Patrimônio Líquido Médio (ROAE) de 15,2% registrado no quarto trimestre, que, segundo ele, tende a ser “visto para cima”.

Noronha reconheceu que, sempre que houver espaço para acelerar, o banco poderá fazê-lo, como ocorreu no último trimestre, quando o crescimento da carteira de crédito superou o ritmo observado anteriormente. Ainda assim, reforçou que a prioridade segue sendo manter a capacidade de investir e sustentar ganhos estruturais de competitividade.

Bradesco reporta lucro de R$ 6,5 bilhões

O balanço do quarto trimestre mostrou lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões, levemente acima do consenso de mercado, com alta de 20,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A receita total somou R$ 36,1 bilhões, crescimento anual de 9,8%, impulsionada pela margem financeira total, que avançou 13,2%, para R$ 19,24 bilhões. A margem com clientes cresceu 18,4%, enquanto a margem com mercado recuou 85%.

A carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,089 trilhão, com crescimento de 11% em bases anuais. O índice de inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 4,1%. Já as despesas totais, somando gastos com pessoal e administrativos, cresceram 5,6% na comparação anual, para R$ 13,8 bilhões.

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