Natura quer seguir controlando despesas sem deixar de investir

Por Rebecca Crepaldi 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Natura quer seguir controlando despesas sem deixar de investir

A Natura Cosméticos (NATU3) afirmou que seguirá com uma política rígida de controle de despesas ao longo de 2026, mas sem interromper investimentos considerados estratégicos para a retomada do crescimento da companhia.

Durante coletiva de imprensa dos resultados do primeiro trimestre, Silvia Vilas Boas, CFO da Natura, afirmou que a companhia continuará mantendo “controle super rígido” sobre os gastos, especialmente diante de um cenário de consumo mais fraco e maior competitividade no setor de beleza.

Entretanto, segundo a executiva, a estratégia da empresa é equilibrar disciplina financeira com investimentos voltados ao fortalecimento das marcas e ao crescimento da operação.

“Sem abrir mão de fazer os investimentos e alocação de capital necessários nas iniciativas relacionadas à marca ou relacionadas a iniciativas de alto retorno”, afirmou.

Reestruturação para reduzir despesas

A Natura passou por um processo de pagamento de rescisões para reorganizar seu quadro de funcionários, com o intuito de colher os resultados a partir do segundo trimestre de 2026.

O Ebitida e a dívida líquida foram os reflexos dessa reestruturação. A dívida líquida encerrou em R$ 4,042 bilhões, alta sequencial de R$ 565 milhões, pressionada pelos R$ 240 milhões em rescisões. Já o Ebitda sofre com o impacto de R$ 221 milhões em despesas extraordinárias com rescisões da reorganização.

Para Boas, o novo modelo operacional foi antecipado justamente para permitir uma estrutura mais leve e preparada para enfrentar a desaceleração do consumo. A redução de custos vem sendo implementada principalmente por meio de uma reorganização operacional, com corte de posições e simplificação da estrutura corporativa.

A CFO afirmou que cerca de 75% da redução de cargos prevista já foi implementada no primeiro trimestre, enquanto os 25% restantes devem ocorrer a partir do segundo trimestre, em intensidade menor.

Segundo a executiva, o primeiro trimestre concentrou os maiores gastos com rescisões, o que pressionou a rentabilidade e o consumo de caixa da companhia no período. Apesar do impacto inicial das demissões e despesas extraordinárias, a expectativa da empresa é começar a capturar os benefícios financeiros da reorganização já a partir do segundo trimestre.

A administração afirmou que a redução da estrutura operacional deve contribuir para proteger margens e fortalecer a geração de caixa ao longo do ano. Além do corte de posições, a reorganização também envolve mudanças nos sistemas internos, integração operacional da Avon e revisão de processos e operações da companhia.

Como veio o balanço da Natura?

A Natura registrou prejuízo líquido de R$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 97 milhões do mesmo período do ano anterior. O resultado foi impacto por queda nas receitas, pressões cambiais e custos relacionados à reestruturação organizacional da companhia em andamento.

O Ebitda somou R$ 346 milhões, queda de 46,8% na comparação anual, com margem de 7,3% — contração de 790 pontos-base ante a margem recorrente de 15,2% do primeiro trimestre de 2025.  O indicador sofreou com o impacto de R$ 221 milhões em despesas extraordinárias com rescisões da reorganização e o efeito da queda de receita sobre uma estrutura de custos ainda em ajuste.

A receita líquida totalizou R$ 4,745 bilhões, recuo de 7,7% em reais e 3,7% em moeda constante. O custo dos produtos vendidos totalizou R$ 1,625 bilhão, recuando apenas 3,0% ante uma queda de receita de 7,7%, o que explica a compressão da margem bruta.

As despesas operacionais consumiram 63,1% da receita líquida, ante 59,0% um ano antes, reflexo de uma estrutura de custos ainda pesada em relação ao volume de vendas do trimestre. A alavancagem subiu para 2,11x Dívida Líquida/Ebitda, acima da meta da companhia de 1,0x a 1,5x.

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