Natura: receitas caem mais que custos e prejuízo chega a R$ 445 mi no 1º tri

Por Mitchel Diniz 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Natura: receitas caem mais que custos e prejuízo chega a R$ 445 mi no 1º tri

A Natura Cosméticos (NATU3) registrou prejuízo líquido de R$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 97 milhões do mesmo período do ano anterior. O resultado foi impacto por queda nas receitas, pressões cambiais e custos relacionados à reestruturação organizacional da companhia em andamento.

Ebitda e Margens

O Ebitda somou R$ 346 milhões, queda de 46,8% na comparação anual, com margem de 7,3% — contração de 790 pontos-base ante a margem recorrente de 15,2% do primeiro trimestre de 2025.  O indicador sofreou com o impacto de R$ 221 milhões em despesas extraordinárias com rescisões da reorganização e o efeito da queda de receita sobre uma estrutura de custos ainda em ajuste.

Receitas e Custos

A receita líquida totalizou R$ 4,745 bilhões, recuo de 7,7% em reais e 3,7% em moeda constante.

No Brasil, a receita líquida recuou 5,5% ano a ano, para R$ 2,681 bilhões. A marca Natura cedeu 3,0% e a Avon caiu 13,8%.

Nas operações em países hispânicos, a receita caiu 10,5% em reais, pressionada pela desvalorização das moedas locais e pelos impactos da integração na Argentina. Excluindo o efeito cambial, a marca Natura na região cresceu 7,0%, mas a Avon recuou 11,3%.

O custo dos produtos vendidos totalizou R$ 1,625 bilhão, recuando apenas 3,0% ante uma queda de receita de 7,7%, o que explica a compressão da margem bruta.

As despesas operacionais consumiram 63,1% da receita líquida, ante 59,0% um ano antes, reflexo de uma estrutura de custos ainda pesada em relação ao volume de vendas do trimestre.

Dívida e Alavancagem

A dívida líquida encerrou em R$ 4,042 bilhões, alta sequencial de R$ 565 milhões, pressionada pelos R$ 240 milhões em rescisões, R$ 90 milhões de custos de simplificação e os R$ 367 milhões relativos ao  litígio envolvendo produtos de talco da Avon nos Estados Unidos. A linha foi parcialmente compensada pela entrada de caixa da venda da Avon Rússia.

A alavancagem subiu para 2,11x Dívida Líquida/EBITDA, acima da meta da companhia de 1,0x a 1,5x.

A administração reconheceu o trimestre como "pesado", mas sinalizou que 75% do corte no quadro executivo já foi executado e que as economias do novo modelo operacional devem se materializar de forma expressiva a partir do do segundo trimestre, com captura plena no segundo semestre.

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