Naufrágio no AM: correntes e densidade dos rios dificultam buscas por desaparecidos
As buscas pelos sete desaparecidos após o naufrágio de uma embarcação no Encontro das Águas, no Amazonas, entraram no quarto dia nesta segunda-feira, 16. O barco havia saído de Manaus na última sexta-feira com destino ao município de Nova Olinda do Norte, mas virou na região onde os rios Negro e Solimões se encontram. Duas pessoas morreram, uma criança de três anos e uma jovem de 22, e 71 passageiros foram resgatados com vida.
Segundo autoridades locais, as operações de resgate enfrentam alto grau de complexidade devido às características naturais da região. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, destacou fatores como correntes de arrasto, diferença de densidade entre os rios, formação de redemoinhos e condições meteorológicas adversas.
Até o momento, equipes percorreram cerca de 10 quilômetros rio abaixo. A embarcação foi localizada a aproximadamente 50 metros de profundidade.
Operação de buscas
A força-tarefa montada pelo governo do Amazonas envolve 25 bombeiros mergulhadores, seis embarcações do Corpo de Bombeiros, além de 20 agentes e duas lanchas da Defesa Civil. As buscas também contam com apoio da Polícia Militar, Polícia Federal, drones e helicópteros.
Três sonares subaquáticos passaram a integrar a operação, dois voltados à leitura do leito do rio e um para detecção de metais. Os equipamentos foram cedidos pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo, que enviou ainda cinco militares especializados, prática comum em ocorrências consideradas de alta complexidade.
Investigação do acidente
O comandante da embarcação foi preso em flagrante logo após o resgate, na sexta-feira, mas pagou fiança e responderá em liberdade por homicídio culposo. Paralelamente, a Marinha do Brasil abriu inquérito administrativo para apurar causas e responsabilidades do naufrágio e enviou aeronave e embarcações para auxiliar nas buscas.
Apoio às famílias
Um posto de atendimento aos familiares dos desaparecidos começou a funcionar nesta segunda-feira no Porto Privatizado de Manaus, das 8h às 18h. Equipes da assistência social, psicólogos e autoridades municipais participam do suporte às famílias.
Os sobreviventes foram levados a Manaus ainda na noite do acidente. A Secretaria de Estado de Assistência Social informou que presta atendimento psicológico, ajuda na identificação dos passageiros e suporte emergencial às famílias.
Posição da empresa
A empresa responsável pela embarcação, Lima de Abreu e Navegações, afirmou em nota que o barco estava regularizado, com documentação e inspeções em dia, e que colabora com as investigações. Segundo o comunicado, a prioridade tem sido prestar assistência às vítimas e seus familiares.
*Com informações da agência O Globo
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