Navio da Segunda Guerra Mundial é encontrado por exploradores com mil prisioneiros mortos
Uma expedição conduzida pelo explorador e apresentador norte-americano Josh Gates identificou recentemente os destroços do cargueiro japonês Hōfuku Maru na região costeira da ilha de Luzon, nas Filipinas. A embarcação afundada está a cerca de 50 metros de profundidade e integra um grupo de navios da Segunda Guerra Mundial conhecido como “navio infernal”.
O termo era utilizado para designar embarcações empregadas pelo Japão no transporte de prisioneiros de guerra aliados sob condições precárias. Em diversos casos, esses deslocamentos resultaram em mortes em massa e episódios registrados como tragédias humanitárias durante o conflito.
O que aconteceu com o Hōfuku Maru?
O Hōfuku Maru levava aproximadamente 1.200 soldados britânicos e holandeses quando foi atingido por aeronaves dos Estados Unidos, em setembro de 1944. Parte desses militares havia sido submetida anteriormente ao trabalho forçado na Ferrovia da Morte, rota construída entre a Birmânia e a Tailândia durante a guerra.
As circunstâncias da tragédia foram agravadas por uma falha de comunicação militar. Segundo informações relatadas por Josh Gates ao site Live Science, os navios japoneses que transportavam prisioneiros não possuíam sinalizações externas que identificassem a presença dessas pessoas a bordo.
Sem qualquer indicação visual, pilotos aliados interpretaram o comboio japonês como um alvo militar convencional ligado ao transporte de suprimentos. Dessa forma, o ataque ocorreu sem que os aviadores soubessem que centenas de prisioneiros estavam confinados na embarcação.
Destroços são considerados túmulos de guerra
A identificação do local exato do naufrágio ocorreu após a equipe de pesquisa cruzar registros militares japoneses com documentos históricos da época. De acordo com os responsáveis pela expedição, os arquivos japoneses apresentaram maior precisão do que relatórios produzidos pelos Estados Unidos durante a guerra.
Na fase de exploração submarina, drones foram utilizados para mapear a área e localizar partes da estrutura. Os equipamentos identificaram três seções distintas do casco espalhadas pelo leito marinho.
Com a confirmação da presença de restos humanos entre os destroços, o local passou a ser reconhecido oficialmente como um túmulo de guerra protegido por convenções internacionais. Esse status impede intervenções ou remoções que possam alterar a área do naufrágio.
A descoberta fornece novas informações sobre um dos episódios ligados aos chamados “navios infernais” e ajuda a esclarecer o destino de vítimas do Hōfuku Maru, cujas famílias aguardavam respostas sobre o paradeiro dos desaparecidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
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