Nem McFish: saiba por que não existe McDonald's na Islândia
Muita gente se surpreende ao descobrir que a Islândia é um dos poucos países da Europa, quiçá do mundo, onde não se encontra McDonald's em lugar nenhum desde 2009. A marca operava por lá desde 1993. Mas por que o país passou a viver sem os arcos dourados se o problema não foi a falta de clientes?
Há 17 anos, o The Guardian noticiou o caso e explicou que o "início do fim" se deu na crise financeira global de 2008. A economia islandesa entrou em colapso, seus principais bancos quebraram e o país precisou de um resgate de cerca de US$ 10 bilhões liderado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Altos custos e dependência da importação
Para o McDonald’s, que tinha três unidades na capital Reykjavík, os custos dispararam e a operação rapidamente deixou de ser viável junto à desvalorização da moeda local. Além disso, por ser uma ilha isolada e com população pequena (hoje são pouco mais de 400 mil pessoas), a Islândia dependia das importações para manter o padrão exigido pela rede.
Na época, o Big Mac era vendido por 650 coroas islandesas (R$ 27 na cotação de hoje). Para que a operação fosse rentável, mesmo com o aumento dos custos, o preço teria que subir 20%, para 780 coroas, o que tornaria o sanduíche vendido por lá o mais caro do mundo, segundo estimativas baseadas no índice da revista The Economist.
Cebola era mais cara que um "bom whisky"
O operador local, Jón Ögmundsson, responsável pela rede de franquia no país, deu uma dimensão clara do que estava acontecendo em entrevista à Reuters, repercutida por diferentes veículos na época. Segundo ele, o preço de um quilo de cebola importada chegou a equivaler ao de uma garrafa de uísque.
"Vendi mais hambúrgueres nos últimos meses do que nunca, mas o custo é proibitivo. Simplesmente não faz sentido", pontuou o empresário à agência em 2009. "Por um quilo de cebola, importada da Alemanha, estou pagando o equivalente a uma garrafa de um bom uísque."
Restaurantes cheios não foram suficientes
Os restaurantes continuavam cheios, mas o lucro desapareceu engolido pelo aumento dos custos. Diante desse cenário, o McDonald’s afirmou que a operação havia se tornado financeiramente inviável e decidiu não buscar um novo franqueado no país. As últimas unidades fecharam em outubro de 2009.
Além da Islândia, outros países passaram a não ter mais lojas do McDonald's, caso da Rússia (em 2022, após a invasão da Ucrânia), Bolívia (em 2002 devido à baixa rentabilidade), Belarus (em 2023, substituído por marca local) e Cazaquistão (em 2023 por problemas de abastecimento ligados à Rússia).
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