Nestlé inaugura fábrica de R$ 2,5 bilhões em Santa Catarina
O mercado pet brasileiro segue em ritmo acelerado. Em 2024, o setor movimentou R$ 75 bilhões, alta de 9,6% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abinpet). O avanço consolida o país como um dos maiores mercados globais para produtos e serviços voltados a cães e gatos.
De olho nessa demanda crescente, a Nestlé Purina inaugurou nesta terça-feira, 3, sua primeira fábrica em Vargeão, no Oeste de Santa Catarina. A unidade faz parte de um pacote de R$ 2,5 bilhões (o maior já realizado pela companhia em pet food no Brasil) e posiciona o país como hub global de produção e exportação de alimentos úmidos (em sachês) para cães e gatos.
Em um mercado que já soma mais de 150 milhões de animais de estimação e ocupa a terceira colocação mundial em população pet, o movimento reforça o papel estratégico do Brasil na engrenagem global da multinacional.
"É um investimento que une inovação, bem-estar animal e a relevância do Brasil como um dos mercados mais promissores para o crescimento do negócio pet", diz Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil.
A nova operação da Nestlé Purina cria 140 vagas fixas, das quais 42% são ocupadas por mulheres, que também representam metade dos cargos de liderança (Nestlé Purina/Divulgação)
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Brasil, um hub de exportação para a América Latina
Com a primeira linha já em operação, a nova planta praticamente dobra a capacidade de produção de ração úmida da empresa no Brasil. O movimento ocorre em meio a um ciclo de crescimento de duplo dígito da Purina nos últimos anos, acima da média do mercado, e deve acelerar ainda mais esse ritmo.
“Vargeão chega para complementar a fábrica de Ribeirão Preto, em operação há mais de 50 anos, que também produz alimentos secos e petiscos. Juntas, as operações fortalecem a capacidade produtiva, a competitividade e o papel do Brasil na estratégia global de pet care da Nestlé”, afirma Rodrigo Maingue, diretor executivo de Purina no Brasil.
A vocação exportadora da unidade já começa a se concretizar. A fábrica inicia neste mês os embarques para o Chile e deve expandir gradualmente para outros países da América Latina, como Colômbia e México, até o fim do ano. O avanço consolida o Brasil como plataforma regional dentro da operação global da companhia, ampliando sua relevância tanto para o mercado interno quanto para a região.
“Purina é hoje um dos quatro negócios prioritários da Nestlé no mundo. A fábrica de Vargeão reforça nossa estratégia global de premiumização em alimentos úmidos, oferecendo diferentes texturas e experiências sensoriais que elevam a nutrição de alta performance para cães e gatos”, diz o CEO da Nestlé Brasil.
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A tecnologia a favor do bem-estar animal e do meio ambiente
A planta nasce sob o conceito de Indústria 4.0 e conta com tecnologia proprietária equipada com linhas de produção de última geração, consideradas entre as mais avançadas da indústria global de pet food.
A operação inclui um Centro de Operações Integradas, robôs nas linhas de envase e embalagem, além de soluções de Internet das Coisas e inteligência artificial para monitoramento em tempo real, rastreabilidade digital de processos e lotes e um modelo totalmente paperless. Segundo a companhia, a combinação garante ganhos relevantes de eficiência e produtividade em relação aos modelos convencionais.
No campo ambiental, a unidade é a primeira fábrica da Purina na América Latina a operar com energia 100% renovável, tanto térmica quanto elétrica, utilizando caldeira movida a biomassa e eletricidade proveniente de fontes renováveis.
O projeto também incorpora equipamentos de última geração para uso eficiente de água e energia, sistema de iluminação 100% LED, tratamento de efluentes de alta performance e operação sem envio de resíduos a aterros, alinhando-se à meta da Nestlé de se tornar uma empresa NetZero até 2050.
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O impacto da nova fábrica na região
O investimento gera impacto direto na economia local. A operação cria 140 vagas fixas, das quais 42% são ocupadas por mulheres, que também representam metade dos cargos de liderança. Além disso, são 44 postos indiretos e cerca de 200 profissionais terceirizados na operação. Durante a fase de construção, aproximadamente 7.200 trabalhadores atuaram nas obras. Em parceria com a FIESC, a companhia capacitou 150 pessoas em operação industrial, contribuindo para o desenvolvimento regional.
A escolha de Santa Catarina não foi casual. O estado se destaca pela forte cadeia de produção de suínos e aves, garantindo proximidade com insumos essenciais utilizados como matéria-prima, como proteínas e subprodutos de origem animal.
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