Nike apresenta uniformes reciclados para a Copa de 2026
A Copa do Mundo de 2026 virá com uma novidade no uniforme das seleções. Pela primeira vez, equipes patrocinadas pela Nike, como Brasil, França e Inglaterra, vão entrar em campo com camisas e calções feitos a partir de roupas antigas recicladas.
Há tempos os uniformes são produzidos com materiais oriundos do poliéster reciclado de garrafas plásticas. No entanto, desta vez, o foco é reaproveitar resíduos têxteis, ou seja, o próprio lixo da moda. As informações são do Financial Times.
Entenda a nova proposta
O material, chamado Aero-FIT, foi desenvolvido ao longo de três anos e meio pela Nike. Segundo a empresa, ele surgiu a partir de uma demanda direta dos atletas, que reclamavam do calor durante os treinos e os jogos.
O Aero-FIT nasce de um processo de reciclagem química avançada, em que os resíduos são quebrados em componentes básicos e reconstruídos em fibras com características semelhantes às do poliéster recém-fabricado. Essas fibras são convertidas em fios que sustentam o uso intenso e ajudam a lidar com o calor durante o jogo.
Janett Nichol, vice-presidente de vestuário e inovação do estúdio de criação digital avançada da Nike, afirmou ao FT que o material "tem um ótimo desempenho e nos aproxima muito da qualidade do poliéster virgem, o que acreditamos que pode revolucionar o setor, bem como o esporte".
A questão, agora, vai além da sustentabilidade. No esporte de alto rendimento, o uniforme precisa estar a serviço do desempenho. Até o momento, os testes são promissores: em treinos na Carolina do Norte, com cerca de 33 °C e alta umidade, jogadores usaram protótipos do novo uniforme e relataram mais conforto térmico durante a atividade.
No entanto, ainda existem limitações. Em momentos de calor extremo, o impacto do uniforme é pequeno, porque o suor evapora com mais dificuldade. Nesse cenário, só manter o mesmo nível dos materiais atuais já é visto como avanço.
A Copa de 2026 deve expor essa tecnologia em escala global, em que os uniformes vão aparecer no torneio mais assistido do futebol. Com isso, se o material se mostrar eficiente, a indústria ganha uma validação que ainda não tem: a de que a reciclagem têxtil pode atender às exigências do esporte de elite.
Isso pesa na decisão de investimento. Hoje, a produção em larga escala ainda esbarra em custo alto e desafios técnicos, o que freia a adoção, segundo o FT. Para se ter uma ideia, a reciclagem têxtil representa menos de 1% da produção global de fibras, mesmo com a quantidade de resíduos só aumentando a cada ano.
Também há limites no próprio uniforme, já que partes como escudos e acabamentos seguem fora desse processo, o que reduz o nível de circularidade. Além disso, a mudança não depende só do material, já que também deve ser considerada a forma com que esses materiais são usados e descartados.
Segundo o FT, passada a Copa do Mundo, a Nike deve incorporar o Aero-FIT nas roupas de outras categorias, como corrida e treino, com preços próximos aos atuais. "Se os tecidos circulares se tornarem comuns, isso ajudará a mudar as expectativas dos consumidores, transformando a sustentabilidade de um 'diferencial' em uma necessidade básica", afirma Rachel Kibbe, fundadora do Circular Services Group e da American Circular Textiles, ao FT.
Esse movimento da Nike acompanha o avanço da moda circular. O mercado global deve crescer de US$ 6,48 bilhões em 2025 para US$ 9,84 bilhões até 2030. No Brasil, a projeção é de R$ 78 bilhões até 2027, puxada principalmente pelas gerações mais novas.
Nesse cenário, a Nike leva a proposta direto para o jogo, enquanto concorrentes avançam mais gradualmente. A Adidas, por exemplo, mantém o uso de poliéster reciclado de plástico e trabalha para ampliar a participação de resíduos têxteis até 2030. Já a Puma testa o material em camisas de torcedor, mas ainda não levou a tecnologia para os uniformes de jogo.
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