Nike 'derrapa' 15% em NY após balanço e previsão de vendas mais fracas

Por Caroline Oliveira 1 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nike 'derrapa' 15% em NY após balanço e previsão de vendas mais fracas

As ações da Nike recuam mais de 15% nos negócios desta quarta-feira, 1, após a companhia sinalizar uma perspectiva mais fraca para as vendas em 2026. O papel também sofreu rebaixamentos por grandes bancos de Wall Street, aumentando as dúvidas sobre sua estratégia de reestruturação.

A empresa informou que espera queda entre 2% e 4% na receita do quarto trimestre fiscal, iniciado em março, e também projeta retração de 2% a 4% no ano-calendário em relação a 2025. A estimativa ficou abaixo da expectativa consensual do mercado, que apontava crescimento de 1,9%.

A Nike atribuiu parte do cenário mais desafiador às condições adversas na China, onde, segundo a própria companhia, as vendas devem cair cerca de 20% no trimestre atual, além de disrupções no Oriente Médio, causadas pela guerra. Esses fatores devem superar a resiliência observada na América do Norte, principal mercado da empresa e responsável por cerca de 45% da receita global.

Apesar da perspectiva mais fraca, os resultados do terceiro trimestre fiscal vieram acima das expectativas do mercado. A receita ficou praticamente estável em cerca de US$ 11,3 bilhões nos três meses encerrados em fevereiro, enquanto o lucro líquido somou US$ 520 milhões, também acima das projeções de analistas e do registrado no mesmo intervalo no ano anterior. No período, as vendas na América do Norte cresceram 3%, enquanto a China registrou queda de 7%.

O CEO da Nike, Elliott Hill, afirmou que, embora não esteja satisfeito com o desempenho recente, segue confiante de que os avanços em áreas estratégicas, como corrida e futebol, indicam o caminho para a recuperação da companhia. Já o diretor financeiro Matthew Friend alertou que o ambiente operacional se tornou “cada vez mais dinâmico”, citando riscos adicionais de volatilidade associados ao conflito no Oriente Médio, à alta dos preços do petróleo e a outros fatores que podem afetar tanto os custos quanto o comportamento do consumidor.

Ainda assim, a perspectiva para os próximos trimestres reforçou a cautela entre analistas. O Bank of America rebaixou a recomendação das ações de compra para neutra e reduziu o preço-alvo de US$ 73 para US$ 55, citando a expectativa de que as vendas permaneçam em território negativo até o terceiro trimestre fiscal de 2027. O banco também revisou para baixo suas estimativas de lucro por ação.

Segundo Lorraine Hutchinson, analista da instituição, a expectativa era de que avanços em inovação de produtos e iniciativas estratégicas recentes levassem a companhia a retomar o crescimento já no primeiro trimestre fiscal de 2027. Com a nova sinalização da Nike de que essa inflexão deve demorar mais para ocorrer, o potencial de valorização das ações no curto prazo ficou mais limitado.

O Goldman Sachs também cortou sua recomendação para neutra, com redução do preço-alvo de US$ 76 para US$ 52, destacando que o desempenho da divisão de sportswear segue moderado e que ajustes de portfólio e estoques continuam em andamento, especialmente nas operações da Europa, Oriente Médio e China.

Na mesma linha, o JPMorgan Chase apontou que, embora haja sinais iniciais positivos da estratégia “Sport Offense” na América do Norte e na categoria de corrida, outras regiões internacionais seguem enfrentando desafios operacionais e ajustes no mercado, o que deve prolongar o prazo para a retomada do crescimento das receitas e o retorno a margens operacionais de dois dígitos.

De acordo com Friend, o trimestre encerrado em agosto, primeiro do ano fiscal de 2027 para a companhia, deve ser o último em que tarifas mais elevadas continuarão representando um impacto relevante sobre as margens brutas na comparação anual.

*com agências internacionais

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