No 26º dia de guerra: Irã nega diálogos com os EUA e rejeita plano de Trump para acabar com conflito

Por Mateus Omena 26 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
No 26º dia de guerra: Irã nega diálogos com os EUA e rejeita plano de Trump para acabar com conflito

O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, declarou nesta quarta-feira, 25, que a proposta dos Estados Unidos para encerrar a guerra está em análise por autoridades da República Islâmica em Teerã. Mais cedo, a TV estatal iraniana havia informado que o plano americano tinha sido rejeitado.

O ministro declarou que trocas de mensagens por meio de mediadores "não significam negociações com os EUA". Ele reiterou que não há intenção de iniciar diálogo direto com Washington.

A manifestação ocorreu em entrevista à TV estatal e representa o primeiro indicativo concreto das declarações recentes do presidente Donald Trump sobre o envio de uma proposta ao Irã para encerrar o conflito. A guerra se aproxima de um mês de duração.

Até o momento, o regime iraniano negava qualquer tipo de contato, inclusive indireto. O porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari afirmou anteriormente, também à emissora estatal, que Trump estava "negociando consigo mesmo" e descartou uma trégua no curto prazo.

Plano de 15 pontos

Os Estados Unidos teriam encaminhado um plano com 15 pontos ao Irã por meio do Paquistão, sem divulgação pública dos termos por nenhuma das partes envolvidas. Araghchi afirmou que mensagens têm sido enviadas por diferentes mediadores.

O chanceler declarou que os EUA falharam em proteger países vizinhos, apesar da presença de bases militares na região. Como parte da resposta de Teerã aos ataques, nações árabes do Golfo foram atingidas, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Qatar, Kuwait e Iraque.

Araghchi afirmou que o Irã busca o fim permanente do conflito e compensações pelos danos causados por ataques dos EUA e de Israel.

De acordo com a agência de notícias Reuters, que citou seis fontes anônimas com conhecimento da posição diplomática iraniana, uma das condições apresentadas por Teerã envolve a extensão de qualquer cessar-fogo ao Líbano. O país é alvo de ataques e ocupação por Israel, que também sofre ataques com foguetes lançados pelo grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo regime iraniano.

Reforço na Ilha de Kharg

O Irã reforçou a segurança na Ilha de Kharg com a instalação de armadilhas e o deslocamento de militares e sistemas adicionais de defesa aérea nas últimas semanas. A movimentação ocorre diante da possibilidade de uma operação dos Estados Unidos para assumir o controle da área, segundo pessoas com acesso a relatórios de inteligência americana.

O governo de Donald Trump avalia o uso de tropas para ocupar a ilha localizada no nordeste do Golfo Pérsico — responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto iraniano — como forma de pressionar Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz, informou a emissora americana CNN.

Autoridades dos EUA apontam riscos relevantes em uma eventual operação terrestre, incluindo a possibilidade de elevado número de baixas entre militares americanos.

A Ilha de Kharg apresenta um sistema de defesa estruturado em camadas. Nas últimas semanas, o Irã deslocou equipamentos adicionais de mísseis terra-ar portáteis, conhecidos como MANPADS.

O país também tem instalado armadilhas, incluindo minas antipessoal e antitanque, distribuídas ao redor da ilha, inclusive na faixa costeira. Essas áreas são consideradas pontos potenciais para um desembarque anfíbio, caso o presidente Donald Trump autorize uma operação terrestre.

Israel aprova convocação de até 400 mil reservistas

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) aprovaram um plano que prevê a convocação de até 400 mil reservistas diante da escalada de tensões com o Irã e da operação contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano.

“Como parte da preparação para uma ampla gama de cenários, as IDF aprovaram um limite máximo de 400.000 vagas para reservistas”, informou a corporação em comunicado enviado à Agência EFE.

As forças armadas destacaram que esse teto “não constitui a mobilização de 400.000 reservistas, mas sim indica um limite máximo no sistema”, com a finalidade de permitir ajustes na convocação conforme as demandas da campanha militar.

Israel mantém uma operação terrestre no sul do Líbano e conduz ataques aéreos frequentes contra o território vizinho, no contexto das ações contra o Hezbollah.

As forças armadas também consideram a possibilidade de que os houthis do Iêmen passem a participar “a qualquer momento” de ataques contra o território israelense. A avaliação foi mencionada por oficiais militares.

A divulgação mais recente sobre o número de reservistas convocados ocorreu no dia 2 de março, quando o total superou 110.000 israelenses mobilizados.

*Com informações das agências EFE e AFP.

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