No primeiro aniversário, centro de inovação da Oracle mostra avanço em protótipos e negócios
Aberto há um ano em São Paulo, o Oracle Innovation Center, centro de inovação da companhia, começou como vitrine tecnológica e agora tenta se firmar como instrumento de vendas, prototipagem e desenvolvimento de novos projetos com clientes. A reportagem visitou o espaço nesta quinta-feira, quarta-feira, 26, data em que a empresa celebra o primeiro ano da operação, apresentada pela Oracle como seu primeiro centro de inovação na América Latina.
No período, o centro ampliou de 30 para mais de 50 experiências instaladas e passou a reunir 40 clientes mantenedores, que exibem suas soluções no espaço, segundo executivos da companhia. O centro foi desenhado para demonstrar aplicações de inteligência artificial, automação, realidade aumentada e robótica em setores como varejo, saúde, telecomunicações, energia, hotelaria e setor público.
Para a Oracle, o objetivo do ambiente é reduzir a distância entre discurso comercial e aplicação prática. "Tangibilizar para o cliente. Uma visão de varejo para as inovações", afirmou Alexandre Maioral, presidente e CEO da Oracle Brasil, ao resumir a lógica do centro. A ideia é trocar apresentações em PowerPoint por demonstrações que permitam ao cliente testar a tecnologia e discutir usos concretos para o negócio.
Na prática, o 7º andar da sede da empresa foi montado como um circuito de demonstrações. Em dez áreas temáticas, a recepção é feita por robô que guia o visitante em compras alimentos sem passar no caixa, no check-in de um hotel com preferências personalizadas, na disputa pelo pódio em uma corrida de F1 e até na gravação de um podcast com edição e cortes feitos por inteligência artificial.
Apesar do aspecto lúdico, a empresa insiste que o centro não foi concebido como peça de marketing isolada. "O valor, além da receita, é a provocação de cocriar com os clientes. Muita tecnologia é construída em parceria com os clientes", disse Fabio Martins, diretor de inovação da Oracle. O desenho inclui uma área maker, espaço para protótipos e uma equipe dedicada a acompanhar a evolução dos projetos.
A Oracle também diz que a operação já entrou em fase mais comercial. Segundo executivos, há um time de vendas responsável por levar clientes ao espaço, acompanhar decisões de compra e monitorar a continuidade do negócio ao longo do ciclo de vida do projeto. O centro, assim, tenta deixar de ser apenas um showroom de tecnologias emergentes para funcionar como etapa do funil de vendas da companhia.
Esse avanço ajuda a explicar o discurso mais assertivo da empresa sobre retorno. Maioral afirmou que o projeto foi tão bem recebido internamente que a Oracle teria conseguido ampliar o aporte se tivesse pedido mais recursos, estimados inicialmente em R$ 40 milhões.
Parcerias e protótipos ampliam escopo do centro
O plano da Oracle não depende apenas de tecnologias próprias. Hoje, o centro reúne cerca de 40 empresas parceiras, entre grupos consolidados e startups, que ajudam a compor as experiências instaladas. Segundo os executivos, metade dessa rede é formada por companhias emergentes, numa tentativa de aproximar clientes corporativos de soluções desenvolvidas fora da estrutura tradicional da Oracle.
Esse arranjo reforça uma tese que a empresa vem repetindo: a de que o ciclo atual de inovação passa menos por plataformas fechadas e mais por articulação entre fornecedores especializados. O centro de São Paulo opera, nesse sentido, como uma espécie de vitrine da inovação aberta, conceito em que grandes empresas recorrem a parceiros externos para acelerar desenvolvimento e complementar portfólio.
Fabio Martins citou como exemplo um teste desenvolvido com o Four Seasons, rede de hotéis de luxo, que usou o espaço para prototipar uma ideia antes de decidir os próximos passos. O caso ajuda a ilustrar o papel que a Oracle tenta atribuir ao centro: mais do que exibir soluções prontas, servir de laboratório para validar projetos em estágio inicial.
A operação brasileira também ganhou relevo dentro da própria multinacional. Martins afirmou que, em escala, o centro de Chicago ainda é maior, mas disse que a unidade paulistana já concentra mais experiências instaladas do que outras estruturas da Oracle no exterior. A fila de interessadas em participar do ambiente, segundo a empresa, garante uma agenda lotada até maio.
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