Noruega instala 10 mil antenas para investigar mistérios das auroras boreais

Por Vanessa Loiola 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Noruega instala 10 mil antenas para investigar mistérios das auroras boreais

A Noruega, considerada um dos principais centros históricos de pesquisa sobre auroras boreais, se prepara para iniciar um novo capítulo no estudo das chamadas “luzes do norte”. Cientistas estão desenvolvendo um sistema avançado de radar, composto por cerca de 10 mil antenas, que será usado para investigar em detalhes como esse fenômeno atmosférico se forma.

De acordo com o The New York Times, o projeto, chamado EISCAT 3D, está sendo instalado na cidade de Skibotn, entre Tromsø e o antigo observatório de Halde. O sistema permitirá observar em detalhes as interações entre partículas vindas do Sol e o campo magnético da Terra, processo responsável pela formação das auroras.

Noruega é referência histórica

A Noruega tem uma longa tradição na pesquisa das luzes do norte. O primeiro observatório permanente dedicado ao fenômeno foi construído em 1899, no topo do monte Halde, pelo físico Kristian Birkeland, considerado pioneiro na investigação científica das auroras.

No início do século XX, Birkeland propôs uma das primeiras explicações físicas para o fenômeno. Segundo sua teoria, partículas carregadas emitidas pelo Sol interagem com o campo magnético da Terra e colidem com átomos da atmosfera, liberando energia na forma de luz.

Dependendo do tipo de partícula envolvida, surgem diferentes cores: verde e vermelho, associados ao oxigênio; e tons roxos, ligados ao nitrogênio.

As auroras geralmente aparecem a altitudes entre 80 e 480 quilômetros acima da superfície terrestre.

Como funciona o radar das auroras

O novo sistema EISCAT 3D utilizará um conjunto de antenas com cerca de 90 metros de largura capazes de emitir ondas de rádio e analisar como elas se dispersam ao encontrar elétrons livres na ionosfera, camada da atmosfera ionizada pela radiação solar.

Os dados coletados permitirão criar imagens tridimensionais de plasma, gás ionizado que surge quando o clima espacial provoca perturbações na atmosfera superior.

O radar norueguês também trabalhará em conjunto com instalações semelhantes na Finlândia e na Suécia, formando uma rede capaz de observar o céu ártico quase em tempo real.

Clima espacial

Com a nova tecnologia, os cientistas esperam compreender melhor os processos físicos que controlam o comportamento das auroras boreais, incluindo variações na densidade de partículas e nos movimentos do fenômeno.

Essas informações também são importantes para o estudo do chamado clima espacial, que envolve eventos solares capazes de interferir em sistemas de comunicação, satélites e redes elétricas na Terra.

Segundo pesquisadores envolvidos no projeto, quanto mais avançados são os instrumentos de observação, maior é a capacidade de entender os processos fundamentais que governam a interação entre o Sol, o campo magnético da Terra e a atmosfera superior.

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