Nos EUA, churrasco fica mais caro com carne bovina em alta de 20%
O tradicional churrasco de verão dos americanos vai pesar muito mais no bolso. O preço da carne moída atingiu a marca histórica de US$ 6,90 por libra em abril, registrando o maior valor da série histórica do Bureau of Labor Statistics (BLS).
O montante atual quase dobra o valor registrado há dez anos e consolida uma alta de quase 20% em comparação com o ano anterior.
No entanto, o bolso do consumidor não está sendo pressionado apenas pelo preço do filé ou do hambúrguer.
Conflitos geopolíticos no Oriente Médio, como a guerra no Irã, elevaram drasticamente os custos de energia e combustíveis. A reação em cadeia encareceu o gás propano (essencial para as churrasqueiras americanas), fertilizantes, transporte e até embalagens plásticas.
Por que o preço da carne bovina disparou nos EUA?
A disparada da carne bovina no mercado americano é reflexo direto da escassez de gado.
Trata-se do resultado prático de secas persistentes prolongadas nas regiões produtoras e custos elevados de ração, que inviabilizaram a manutenção de rebanhos maiores.
Diante desse cenário, pecuaristas foram forçados a reduzir drasticamente o número de cabeças de gado nos últimos anos.
Don Close, analista sênior de proteína animal da Terrain Ag, classificou o momento atual ao Business Insider como a "culminação de uma tempestade perfeita".
O mesmo não deve acontecer com a carne bovina no curto prazo.
O custo invisível: propano 38% mais caro
Até o ato de acender a churrasqueira ficou proibitivo. O preço spot do gás propano em Mont Belvieu, no Texas — a principal referência do mercado americano —, saltar de US$ 0,61 por galão em fevereiro para US$ 0,84 em maio.
Uma alta expressiva de 38% em menos de três meses, segundo a US Energy Information Administration (EIA).
Apesar de os EUA registrarem produção recorde do gás, o mercado internacional foi severamente afetado.
A guerra envolvendo o Irã provocou bloqueios logísticos complexos no Estreito de Ormuz, estrangulando o fornecimento de energia vindo do Oriente Médio. Como consequência, a demanda global pelo propano americano disparou, inflacionando os preços internos.
Uma nova onda de inflação disfarçada nos supermercados
Economistas alertam que o churrasco é apenas a ponta do iceberg de uma pressão inflacionária mais ampla que se espalha pelas prateleiras.
"A bomba de gasolina é apenas o ato de abertura", alertou Mark Malek, diretor de investimentos da Siebert Financial, em entrevista ao Business Insider. "O verdadeiro impacto inflacionário doméstico vem depois, escondido dentro dos produtos cotidianos."
Até o plástico da embalagem entrou na conta
A crise geopolítica afeta inclusive os materiais em que a comida é transportada.
O Oriente Médio detém cerca de 25% das exportações globais de polietileno e polipropileno, insumos fundamentais na fabricação de embalagens plásticas.
Os gargalos na região reduzem a oferta e encarecem o plástico.
O resultado prático é que, mesmo que o consumidor decida cortar a carne vermelha e mudar o cardápio do churrasco de verão, a inflação global encontrará uma forma de encarecer o restante da mesa.
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