Nova campanha, possível venda, conflito no Irã: o que esperar da Ipiranga neste ano

Por Layane Serrano 12 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nova campanha, possível venda, conflito no Irã: o que esperar da Ipiranga neste ano

A rede de postos Ipiranga, controlada pelo Grupo Ultra, entra em 2026 combinando três movimentos relevantes: crescimento operacional, uma nova campanha nacional de marketing e negociações em torno de uma possível venda de participação no negócio. Neste contexto, aparece também o conflito entre o Irã e Estados Unidos que promete balançar o preço dos combustíveis.

No lado operacional, a companhia fechou 2025 com avanço nas vendas acima do mercado. Segundo Júlio Sattamini, vice-presidente de marketing e novos negócios da Ipiranga, o volume comercializado pela rede cresceu cerca de 8% em relação a 2024, em um setor que avançou menos no mesmo período.

“Vendemos cerca de 8% a mais do que no ano anterior, em um mercado que cresceu menos que isso”, afirma.

No total, a companhia comercializou 23,9 milhões de metros cúbicos de combustíveis em 2025. Apenas no quarto trimestre, o volume vendido cresceu 7% em comparação com o mesmo período de 2024.

O desempenho também se refletiu nos resultados financeiros: a empresa registrou EBITDA recorrente de R$ 1,1 bilhão no quarto trimestre de 2025.

Atualmente, a operação da Ipiranga envolve cerca de 6 mil postos no Brasil, além de mais de 7 mil clientes corporativos e 85 unidades operacionais. A rede movimenta aproximadamente 2 milhões de abastecimentos por dia e receita líquida de R$ 127.633 bilhões (+5% vs 2024) - uma estrutura de grande escala que, neste ano, pode entrar no radar de investidores com a possível venda de participação da companhia.

Júlio Sattamini, vice-presidente de marketing e novos negócios da Ipiranga: “A Ipiranga está muito bem-posicionada hoje. A gente não tem uma crise para resolver, temos um negócio forte e preparado para continuar crescendo" (Ipiranga /Divulgação)

A venda de uma empresa de 90 anos

Enquanto reforça sua estratégia comercial, a companhia, que completará 90 anos em 2027, está no centro de movimentações no mercado financeiro.  A eventual operação ainda está em fase preliminar e é conduzida diretamente pelo acionista controlador. Sattamini, no entanto, evitou comentar o tema.

“Esse é um assunto do acionista. É um tema que está sendo tratado pelo Ultra”, diz o executivo.

Apesar das especulações, o executivo afirma que a empresa segue focada na operação.

“A empresa está num momento muito bom. Reestruturamos o negócio e hoje o resultado é três vezes maior do que quatro anos atrás,” diz o vice-presidente de marketing e novos negócios.

Procurada, a assessoria do Grupo Ultra diz que não comenta a operação de venda da rede. "Sempre que há informações relevantes, comunicamos ao mercado, conforme regulamentação aplicável."

Conflito no Irã pressiona custos em 2026

Entre os diferentes desafios do setor, neste ano entra no radar a instabilidade no mercado internacional de petróleo, intensificada pelo conflito envolvendo o Irã e os Estados Unidos.

Embora o Brasil produza parte relevante do combustível que consome, o país ainda depende de importações.

“Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, então quando acontece alguma coisa no mundo o país acaba sendo impactado”, diz Sattamini.

Segundo ele, o cenário atual tem provocado oscilações rápidas nos custos.

“O que está acontecendo agora é muito disruptivo. São variações de custo muito altas em espaços de tempo muito pequenos.”

Para as distribuidoras, isso significa um aumento no custo médio de aquisição de combustível.

“Estamos usando a nossa estratégia de compra e de precificação para lidar com esse cenário.”

Na segunda-feira, 9, já havia sinais de defasagem nos preços praticados pela Petrobras em relação ao mercado externo, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom). Pelos cálculos da entidade, o diesel estava R$ 2,74 por litro abaixo da paridade internacional, enquanto a gasolina apresentava defasagem de R$ 1,22 por litro.

Mesmo assim, sem reajustes há cerca de 300 dias, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, tem sinalizado a intenção de manter a estabilidade dos preços no curto prazo.

Novo ano, nova campanha: o conceito de “posto completo”

Parte da estratégia para 2026 é a nova campanha nacional “Lá a parada é completa”, que começa a ser veiculada nesta semana.

A comunicação reforça o posicionamento da Ipiranga como um hub de serviços para motoristas, explorando o duplo sentido da palavra “parada”.

“A campanha reforça algo que a gente já vê há muitos anos: a Ipiranga como um lugar de soluções completas para o motorista, para o carro e para o que ele precisa resolver”, diz Sattamini.

A ação também marca o retorno do humor característico da marca e a introdução de um mascote digital inspirado no personagem do antigo slogan “Pergunta lá”, que passará a aparecer nas campanhas e interações da empresa.

Nos últimos anos, a companhia implementou uma série de mudanças na operação, incluindo o lançamento da linha de combustíveis Ipimax, modernização da identidade visual dos postos, evolução do serviço Jet Oil e reformulação das lojas de conveniência am/pm.

“A campanha vem como a cereja do bolo de tudo o que a gente construiu nos últimos anos.”

A maior franquia de padarias do Brasil cresce dentro da rede

As lojas am/pm também têm ganhado peso dentro do ecossistema da companhia, e já é considerada a maior rede de franquias de padaria do Brasil.

Hoje, a rede conta com mais de 700 padarias, registrando 9,1 milhões de transações mensais.

Em 2025, o faturamento das operações chegou a R$ 2,2 bilhões, alta de 9% em relação a 2024.

No quarto trimestre, o segmento registrou GMV de R$ 600 milhões, o maior da história.

Expectativa é acelerar em 2026

Apesar das incertezas geopolíticas e das discussões sobre uma eventual venda de participação da empresa, a expectativa da rede Ipiranga é manter a trajetória de crescimento. E para manter o ritmo o Grupo Ultra prevê investir R$ 1,28 bilhão em 2026 na rede. Os recursos serão direcionados principalmente para:

"A empresa também aposta no fortalecimento do relacionamento com consumidores por meio do programa de fidelidade KMV, que já reúne 38 milhões de participantes", afirma Sattamini.

A companhia também seguirá acompanhando a evolução da transição energética. Segundo o executivo, a Ipiranga já se posiciona como uma das maiores comercializadoras de biocombustíveis do Brasil, responsável por cerca de 17% do volume movimentado no país.

No campo da eletrificação, a empresa tem apoiado revendedores que optam por instalar pontos de recarga elétrica em postos, em parceria com fabricantes como a WEG.

“A transição energética vem ganhando relevância e a gente acompanha esse movimento de forma ativa”, afirma o executivo.

Em meio aos conflitos externos e mudanças internas, para Sattamini, a Ipiranga entra em 2026 com uma base mais sólida.

“A Ipiranga está muito bem-posicionada hoje. A gente não tem uma crise para resolver, temos um negócio forte e preparado para continuar crescendo.”

Veja também: ‘Esse é o maior investimento da nossa história’, diz presidente da WEG sobre novas fábricas

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