Nova sede de SP: consórcio cita BNDES e debêntures como opções de financiamento

Por André Martins 26 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nova sede de SP: consórcio cita BNDES e debêntures como opções de financiamento

O consórcio MEZ-RZK Novo Centro, vencedor do leilão da PPP da nova sede do governo de São Paulo, avalia estruturar o financiamento do projeto com apoio do BNDES, emissão de debêntures incentivadas e até bancos internacionais de fomento. A informação é de Felipe Mahana, diretor da M4 Infraestrutura, uma das empresas do grupo.

“Tem opções mais avançadas, como o BNDES e até bancos internacionais de fomento. O projeto é totalmente financiável dentro do que a gente está pensando”, disse em coletiva após vencer o certame.

A proposta vencedora ofereceu 9,62% de desconto sobre a contraprestação mensal de R$ 76,6 milhões, quase o dobro do percentual apresentado pelo consórcio adversário.

O projeto prevê R$ 6 bilhões em investimentos, com R$ 3,4 bilhões do governo estadual e R$ 2,7 bilhões do parceiro privado.

Segundo Mahana, o grupo analisou diferentes alternativas para estruturar o capital. “

"Temos algumas opções. Tem a parte imobiliária, fundo imobiliário. Tem estrutura de debêntures incentivada, e a linha de requalificação urbana e o projeto encaixa. Não foi feito nenhuma ainda, mas já existe o decreto, a portaria para tal”, afirmou.

Desapropriação é o principal desafio

Além da modelagem financeira, o executivo destacou que a principal dificuldade não está na execução física da obra, mas na desapropriação dos imóveis.

O complexo terá cerca de 420 mil metros quadrados de área construída e exigirá desapropriações e realocação de famílias na região dos Campos Elíseos.

Segundo a associação de moradores da região, mais de 600 famílias terão que ser deslocadas da região. O governo reservou entre R$ 500 milhões e R$ 800 milhões para pagar os afetados.

“Brincamos que até começar a obra é a menor dificuldade”, disse. Ele ressaltou que a fase pré-obra envolve regras de realocação, definição de raio para reassentamento e cumprimento de exigências legais.

O processo inclui aprovação junto à prefeitura, órgãos estaduais e, se necessário, instâncias federais.

“É projeto, licenciamento, toda parte legal até deixar apto à obra”, afirmou.

O cronograma apresentado indica que as primeiras intervenções — o novo terminal de ônibus e o prédio dos Correios — devem começar em 2027, com prazo de entrega de até um ano e meio.

Já a construção do centro administrativo, que reunirá gabinete do governador, secretarias e órgãos hoje espalhados por mais de 40 endereços, está prevista para começar após dois anos de contrato, ou seja, em 2028.

Na prática, o consórcio projeta aproximadamente três anos de obras para o complexo como um todo, contados a partir do início efetivo da fase de construção. A estimativa é que o projeto será entregue em 2031.

O contrato prevê matriz de risco para atrasos e permite execução por etapas. A estratégia será iniciar as intervenções por quadras, sem depender da liberação integral da área.

“Não vou ficar esperando liberar todas as quadras para começar a primeira obra”, disse.

Exploração comercial

Na parte comercial e de uso público, Mahana afirmou que a ideia é estruturar um “mix de renda” e de varejo, que não se limite a comércio e restaurantes, mas inclua também educação e saúde, considerando a presença estimada de 22 mil servidores fixos, além da população flutuante e de novos moradores da região central.

Ele também mencionou a possibilidade de eventos e atrações culturais. Segundo o executivo, o projeto prevê a construção de um teatro, com dias reservados ao governo do estado, e espaço para auditórios e espetáculos.

"Vamos tentar trazer espaço para evento público também, a questão de auditório, teatro, espetáculo para o público”, afirmou.

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