Nova sede de SP: consórcio cita BNDES e debêntures como opções de financiamento
O consórcio MEZ-RZK Novo Centro, vencedor do leilão da PPP da nova sede do governo de São Paulo, avalia estruturar o financiamento do projeto com apoio do BNDES, emissão de debêntures incentivadas e até bancos internacionais de fomento. A informação é de Felipe Mahana, diretor da M4 Infraestrutura, uma das empresas do grupo.
“Tem opções mais avançadas, como o BNDES e até bancos internacionais de fomento. O projeto é totalmente financiável dentro do que a gente está pensando”, disse em coletiva após vencer o certame.
A proposta vencedora ofereceu 9,62% de desconto sobre a contraprestação mensal de R$ 76,6 milhões, quase o dobro do percentual apresentado pelo consórcio adversário.
O projeto prevê R$ 6 bilhões em investimentos, com R$ 3,4 bilhões do governo estadual e R$ 2,7 bilhões do parceiro privado.
Segundo Mahana, o grupo analisou diferentes alternativas para estruturar o capital. “
"Temos algumas opções. Tem a parte imobiliária, fundo imobiliário. Tem estrutura de debêntures incentivada, e a linha de requalificação urbana e o projeto encaixa. Não foi feito nenhuma ainda, mas já existe o decreto, a portaria para tal”, afirmou.
Desapropriação é o principal desafio
Além da modelagem financeira, o executivo destacou que a principal dificuldade não está na execução física da obra, mas na desapropriação dos imóveis.
O complexo terá cerca de 420 mil metros quadrados de área construída e exigirá desapropriações e realocação de famílias na região dos Campos Elíseos.
Segundo a associação de moradores da região, mais de 600 famílias terão que ser deslocadas da região. O governo reservou entre R$ 500 milhões e R$ 800 milhões para pagar os afetados.
“Brincamos que até começar a obra é a menor dificuldade”, disse. Ele ressaltou que a fase pré-obra envolve regras de realocação, definição de raio para reassentamento e cumprimento de exigências legais.
O processo inclui aprovação junto à prefeitura, órgãos estaduais e, se necessário, instâncias federais.
“É projeto, licenciamento, toda parte legal até deixar apto à obra”, afirmou.
O cronograma apresentado indica que as primeiras intervenções — o novo terminal de ônibus e o prédio dos Correios — devem começar em 2027, com prazo de entrega de até um ano e meio.
Já a construção do centro administrativo, que reunirá gabinete do governador, secretarias e órgãos hoje espalhados por mais de 40 endereços, está prevista para começar após dois anos de contrato, ou seja, em 2028.
Na prática, o consórcio projeta aproximadamente três anos de obras para o complexo como um todo, contados a partir do início efetivo da fase de construção. A estimativa é que o projeto será entregue em 2031.
O contrato prevê matriz de risco para atrasos e permite execução por etapas. A estratégia será iniciar as intervenções por quadras, sem depender da liberação integral da área.
“Não vou ficar esperando liberar todas as quadras para começar a primeira obra”, disse.
Exploração comercial
Na parte comercial e de uso público, Mahana afirmou que a ideia é estruturar um “mix de renda” e de varejo, que não se limite a comércio e restaurantes, mas inclua também educação e saúde, considerando a presença estimada de 22 mil servidores fixos, além da população flutuante e de novos moradores da região central.
Ele também mencionou a possibilidade de eventos e atrações culturais. Segundo o executivo, o projeto prevê a construção de um teatro, com dias reservados ao governo do estado, e espaço para auditórios e espetáculos.
"Vamos tentar trazer espaço para evento público também, a questão de auditório, teatro, espetáculo para o público”, afirmou.
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