Nova sede será estopim da reocupação do centro, dizem sócios do Ópera

Por André Martins 26 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nova sede será estopim da reocupação do centro, dizem sócios do Ópera

O projeto do novo Centro Administrativo do governo de São Paulo pode funcionar como “estopim” para a reocupação do centro da capital, afirmam Pablo Chakur e Fernanda Ferreira, sócios do escritório Ópera Quatro Arquitetura.

“A ideia é que o projeto seja o estopim para que a urbanidade volte — vida na rua, pessoas caminhando e frequentando o espaço urbano”, diz Chakur.

O escritório venceu o concurso público que definiu o desenho do complexo a ser implantado na região dos Campos Elíseos, no entorno da Praça Princesa Isabel.

O leilão da Parceria Público-Privada (PPP) acontece nesta quinta-feira, 26, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.

Com investimentos estimados em R$ 6 bilhões — sendo R$ 3,4 bilhões do governo estadual e R$ 2,7 bilhões do vencedor do leilão — e contrato de 30 anos, o projeto prevê concentrar cerca de 22 mil servidores estaduais hoje distribuídos em mais de 40 endereços.

Para os sócios do Opera, o diferencial está na abordagem urbanística.

“Esse projeto foi bem especial porque teve um apelo muito mais urbanístico do que a concepção de um objeto arquitetônico voltado apenas para abrigar a sede do governo”, afirma Chakur.

Segundo ele, o escritório realizou uma pesquisa detalhada sobre a história do bairro e identificou que, desde a década de 1930, a região apresenta uma morfologia urbana — a forma como o tecido da cidade se organiza — marcada pela heterogeneidade.

“Já existiam casarões grandes convivendo com casas operárias menores. Ao longo dos anos, o território manteve essa característica. Nossa arquitetura não poderia ser um ‘elefante branco’ nesse contexto”, diz.

Fernanda Ferreira e Pablo Chakur: arquitetos afirmam que projeto será um marco para recuperação do centro (Ópera Arquitetura/Divulgação)

A solução foi propor uma composição que simulasse essa diversidade dentro das quadras do projeto, com edifícios de diferentes alturas.

“Temos edifícios mais altos e mais baixos, com diferentes composições, quase como simulando essa diversidade urbana morfológica existente”, afirma.

O projeto prevê a criação de eixos estruturadores que conectam as quadras à Praça Princesa Isabel e ampliam as áreas de fruição pública. O térreo deve concentrar comércio e circulação aberta ao público.

Para os arquitetos, a concentração de servidores é um elemento relevante na estratégia urbana.

“Estamos falando de 22 mil pessoas usando transporte público e movimentando serviços. Trata-se de um território com infraestrutura instalada e pouca densidade”, diz Chakur.

Nova sede do governo de SP: ideia dos criadores do projeto é não transformar o novo complexo em um elefante branco (Ópera Arquitetura/Divulgação)

A configuração dos edifícios também considerou a estrutura administrativa do Estado.

“Encontramos secretarias com mais de 4 mil servidores e outras com seis. Não poderíamos criar edifícios totalmente separados, porque isso dificultaria a integração”, afirma.

A solução foi projetar edifícios divididos em dois blocos interligados por passarelas multipiso. Segundo Fernanda Ferreira, essas passarelas não são apenas circulação.

“Elas conectam os blocos e também abrigam usos, como áreas de descompressão e espaços corporativos, ampliando a flexibilidade ao longo do tempo”, diz.

Custo e manutenção

A questão financeira também entrou na equação do desenho. Segundo os sócios do Opera, o projeto considerou não apenas o custo inicial da obra, mas o custo de manutenção ao longo do tempo.

“Sempre levamos isso em consideração. Mais do que o custo inicial, pensamos também na manutenção”, afirma Ferreira.

O edital do concurso já previa a adoção de materiais sustentáveis e de baixa manutenção. A equipe propôs soluções com alto grau de reciclabilidade e possibilidade de adaptação futura.

“Se daqui a 50 anos deixar de ser sede do governo, o edifício pode ser desmontado ou adaptado com facilidade”, diz.

A proteção solar também foi considerada estratégia de eficiência.

“Quando reduzimos o aquecimento da edificação, diminuímos custos futuros com energia, como ar-condicionado”, afirma Chakur.

Segundo os arquitetos, o projeto evitou especificações fora da realidade do mercado.

“Não propomos materiais muito fora do padrão ou importados. Trabalhamos com soluções já utilizadas no Brasil”, concluíram.

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