Nova técnica de edição genética reduz danos ao DNA em embriões humanos
Pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, conseguiram modificar genes em embriões humanos utilizando uma técnica de edição genética considerada mais precisa do que métodos anteriores. O avanço pode ajudar no futuro desenvolvimento de estratégias para corrigir mutações associadas a doenças hereditárias.
Os resultados foram publicados na servidor de pré-publicações científicas bioRxiv, no início deste mês, mas ainda passarão pelo processo de revisão por pares. Segundo os pesquisadores, a técnica utilizada permite alterar pontos específicos do DNA sem causar os danos mais amplos que já foram observados em abordagens baseadas na ferramenta de edição genética Crispr.
Como funciona a nova técnica de edição genética
A tecnologia utilizada no estudo é conhecida como edição de bases. Diferentemente do Crispr tradicional, que corta trechos do DNA para realizar modificações, esse método atua diretamente sobre letras individuais do código genético.
Para testar a abordagem, os cientistas realizaram experimentos em embriões humanos em estágio inicial e buscaram alterar dois genes específicos. Um deles foi o PCSK9, associado aos níveis de colesterol LDL e ao risco de doenças cardiovasculares.
O outro foi o HBG, relacionado à produção de hemoglobina durante o desenvolvimento fetal. De acordo com a equipe, as alterações foram realizadas sem os danos extensos ao DNA observados em estudos anteriores envolvendo o Crispr.
Técnica busca reduzir limitações do Crispr
A edição genética de embriões humanos vem sendo debatida desde a popularização do Crispr na última década. Em pesquisas anteriores, incluindo trabalhos conduzidos pela própria equipe da Universidade Columbia, foram observados problemas como perdas de sequências genéticas e danos cromossômicos após tentativas de correção de mutações em embriões.
Segundo o geneticista Dieter Egli, líder da pesquisa, os resultados obtidos com a edição de bases representam um avanço importante, mas ainda não significam que a tecnologia esteja pronta para uso clínico.
Em entrevista ao The New York Times, o pesquisador afirmou que ainda há muitas questões sobre possíveis efeitos colaterais que precisam ser investigadas.
Embriões ainda apresentaram um desafio importante
Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores identificaram uma limitação relevante. Em alguns embriões, as alterações genéticas ocorreram apenas em parte das células. Esse fenômeno, conhecido como mosaicismo, faz com que células diferentes apresentem versões distintas do mesmo gene.
Especialistas alertam que essa característica pode representar riscos em uma eventual aplicação clínica, já que os efeitos dessas diferenças genéticas podem não ser totalmente previsíveis ao longo do desenvolvimento.
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