Novo Desenrola Brasil começa com uso do FGTS para quitar dívidas

Por Estela Marconi 5 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Novo Desenrola Brasil começa com uso do FGTS para quitar dívidas

A nova fase do Desenrola Brasil começa nesta terça-feira com foco na renegociação de dívidas e na redução do comprometimento da renda das famílias com bancos.

A principal novidade é a autorização para uso de recursos do FGTS. Trabalhadores poderão utilizar até 20% do saldo disponível ou até R$ 1 mil — o que for maior — para quitar ou abater dívidas, incluindo contas ativas e inativas.

O valor não poderá ser sacado pelo trabalhador. A operação será feita diretamente entre a Caixa Econômica Federal e a instituição credora.

Poderão participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas de até R$ 15 mil. Quem antecipou o saque-aniversário também poderá aderir, desde que não tenha valores bloqueados.

Descontos chegam a 90% e prazo vai a 48 meses

O programa prevê a concessão de crédito novo para quitar dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos, incluindo cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

As condições incluem:

Segundo o Ministério da Fazenda, comandado por Dario Durigan, o desconto médio deve ficar em torno de 65%.

Programa inclui contrapartidas e regras para bancos

Entre as exigências, instituições financeiras terão que limpar o nome de clientes com dívidas de até R$ 100 e destinar parte dos recursos para educação financeira.

Também ficam proibidas operações de crédito destinadas a apostas, como uso de cartão e Pix parcelado para casas de apostas.

Já os beneficiários terão o CPF bloqueado nessas plataformas por 12 meses.

Mudanças no consignado e renegociação do Fies

A nova versão do programa também altera regras do crédito consignado, reduzindo o limite de comprometimento da renda de 45% para 40% e ampliando prazos de pagamento.

No Fies, estudantes poderão renegociar dívidas com descontos que chegam a 99% para inscritos no CadÚnico, dependendo do tempo de atraso.

Programa inclui empresas e produtores rurais

Além de pessoas físicas, a nova fase do Desenrola amplia condições para micro e pequenas empresas, com aumento de limites de crédito, prazos maiores e carência ampliada.

O programa também contempla agricultores familiares por meio do Desenrola Rural, com foco na regularização de dívidas e retomada do acesso ao crédito.

Endividamento elevado impulsiona nova fase

A retomada do programa ocorre em um cenário de alto comprometimento de renda. Segundo o Banco Central, cerca de 29,7% da renda dos brasileiros está destinada ao pagamento de dívidas — o maior nível desde o início da série histórica, em 2005.

Na primeira fase, lançada em 2023, o Desenrola beneficiou mais de 15 milhões de pessoas e viabilizou a renegociação de R$ 53 bilhões em dívidas.

O que é o Novo Desenrola Brasil?

O Novo Desenrola é um programa de refinanciamento de dívidas que reúne diferentes públicos — famílias, estudantes, empresas e produtores rurais — com condições facilitadas de pagamento, redução de juros e uso de garantias públicas.

Quando começa o Novo Desenrola?

Segundo o governo, alguns bancos começaram a ofertar a renegociação a partir de terça-feira, 5, mas que a implementação dependerá das instituições financeiras.

O programa é dividido em quantos eixos?

O programa é dividido em quatro frentes:

O que é o Desenrola Famílias?

É a principal frente do programa, voltada à renegociação de dívidas de pessoas físicas de baixa renda, com uso de crédito novo garantido pelo governo.

Quem pode participar?

Podem participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos em cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado.

Quais dívidas entram na renegociação?

Entram dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC), desde que estejam em atraso entre 90 dias e dois anos.

Qual é o desconto oferecido para famílias?

Os descontos variam conforme o tempo de atraso e o tipo de dívida:

Onde poderá renegociar as dívidas?

A renegociação deverá ser feita diretamente nos canais oficiais dos bancos.

Qual o máximo de juros que pode ser cobrado?

A taxa de juros máxima será de 1,99% ao mês.

Qual o prazo máximo de parcelamento?

Os contratos atrasados poderão ser parcelados em até 48 meses.

Dívidas de até R$ 100 serão perdoadas?

Sim. Os bancos deverão limpar o nome de clientes com dívidas de até R$ 100.

Será proibido apostar em bets?

Sim. Haverá bloqueio do CPF em casas de apostas por 12 meses para quem aderir ao programa.

O que muda para os bancos?

As instituições deverão:

Limpar o nome de clientes com dívidas de até R$ 100 e das dívidas renegociadas; Destinar 1% do valor garantido pelo FGO para educação financeira; Proibir o uso de crédito para apostas.

Desenrola Fies: como funciona e quais os descontos

O Desenrola Fies é voltado a estudantes com dívidas em atraso no financiamento estudantil.

Como funciona o Desenrola Fies?

Dívidas acima de 90 dias:

Dívidas acima de 360 dias:

O que é o Desenrola Empresas?

É a frente voltada a micro e pequenas empresas, com mudanças em programas como Pronampe e Procred, incluindo ampliação de prazos, carência e limites de crédito.

O que é o Desenrola Rural?

Voltado a agricultores familiares, o programa permite renegociar dívidas e ampliar o acesso ao crédito rural. A expectativa do governo é ampliar o número de beneficiários com a prorrogação do prazo.

Qual é o papel do FGO no Desenrola?

O Fundo Garantidor de Operações (FGO) será usado como garantia para as operações de crédito renegociadas, reduzindo o risco para os bancos.

De onde vêm os recursos do fundo?

Os recursos virão de:

Recursos não resgatados no sistema financeiro, estimados entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões.

O que muda no crédito consignado do INSS e do servidor?

O programa altera regras do crédito consignado para aposentados, pensionistas e servidores públicos. Entre as mudanças estão:

Redução da margem consignável total de 45% para 40%; Limitação do uso de cartão consignado a uma parcela menor da renda; Ampliação do prazo de pagamento, que pode chegar a até 108 meses (INSS) e 120 meses (servidores); Possibilidade de carência de até 90 dias (INSS) e 120 dias (servidores).

Além disso, o governo prevê uma redução gradual da margem consignável ao longo dos anos, até atingir 30%.

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