Novo Desenrola vai exigir descontos de até 90% nas dívidas, diz ministro

Por Ivan Martínez-Vargas 28 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Novo Desenrola vai exigir descontos de até 90% nas dívidas, diz ministro

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou nesta segunda-feira que a segunda edição do Desenrola, programa que o governo federal vai anunciar nesta semana, voltado a reduzir o endividamento da população, vai permitir que os trabalhadores usem parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas.

Durigan disse que o novo Desenrola vai exigir dos bancos descontos de até 90% em relação ao montante total das dívidas. "O que a gente está exigindo é que haja uma taxa de juros muito menor do que a praticada nesses três segmentos, que são créditos caros que as pessoas têm que tomar no Brasil: tanto o cartão de crédito, quanto o crédito pessoal sem garantia, quanto o cheque especial", disse.

Reservadamente, membros da equipe econômica afirmam que o percentual-limite do saldo do FGTS a ser dsponibilizado deve ser de 20% das contas àqueles que tenham renda de até cinco salários mínimos (o equivalente a R$ 8.105). O montante liberado deverá estar necessariamente atrelado ao valor da dívida que o trabalhador pretende quitar.

O ministro citou "o compromisso dos bancos de ter boas práticas, seja na oferta de crédito futuro, de crédito novo às famílias, seja do ponto de vista de educação financeira".

O programa deve ser anunciado oficialmente na sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula está preocupado com o alto nível de endividamento dos brasileiros e pediu à equipe econômica que formatasse um novo programa. A versão anterior do Desenrola, em 2023, renegociou dívidas na casa dos R$ 50 bilhões. De acordo com o Banco Central (BC), porém, o endividamento bateu recordes e chegou em fevereiro deste ano a 49,9% das famílias.

O ministro disse que o governo já chegou a um consenso com as instituições financeiras sobre o prazo das dívidas que serão negociadas, mas evitou dar mais detalhes. Também disse que o programa deverá durar alguns meses.

Durigan também ressaltou que a medida será pontual e que a população não deve contar com uma nova edição do Desenrola.

Nesta segunda-feira, Durigan se reuniu com os presidentes dos principais bancos do país e com Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Participaram do encontro, além de Sidney, os executivos Milton Maluhy Filho (CEO do Itaú), Mario Opice Leão (CEO do Santander Brasil), Marcelo Noronha (CEO do Bradesco), André Esteves (presidente do conselho de administração do BTG Pactual), e Livia Chanes (CEO da Nu Pagamentos).

O ministro disse que os bancos apoiam restrições a jogos e apostas online a quem desejar aderir à nova edição do Desenrola.

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