NR-1 e saúde mental: empresas correm para não perder a Geração Z
O conceito de segurança no trabalho deixou de ser apenas físico e passou a incluir, oficialmente, a saúde mental. No Dia Mundial da Saúde, celebrado em 8 de abril, empresas brasileiras enfrentam uma mudança estrutural: o bem-estar psicológico agora faz parte da agenda de compliance.
A transformação vem com a consolidação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), previsto na NR-1. Na prática, isso significa que fatores como estresse, sobrecarga e burnout precisam ser identificados, monitorados e mitigados pelas empresas, sob risco de multas e passivos trabalhistas.
“Não estamos falando apenas de máquinas sem proteção, mas de culturas organizacionais que sobrecarregam o funcionário e que são, tecnicamente, ambientes de risco”, afirma Renan Conde, CEO Brasil da Factorial, HRTech global especializada em gestão de pessoas.
Veja também: NR-1: o que muda para o CEO em 2026
A pressão da Geração Z
A mudança regulatória coincide com uma transformação geracional. A Geração Z já representa 27% da força de trabalho global, e trouxe novas exigências para o mercado.
Para esse grupo, segurança no trabalho não se resume a equipamentos físicos. O critério passa, cada vez mais, pelo equilíbrio emocional e pela saúde mental. Segundo estudo da Deloitte, 80% dos jovens consideram o apoio psicológico um fator decisivo ao escolher onde trabalhar.
Na prática, isso tem impacto direto na retenção de talentos. Empresas que ignoram o tema enfrentam maior rotatividade, e perda de competitividade.
“A NR-1 deu o mapa regulatório, mas a Geração Z deu o ultimato de mercado”, diz Conde.
Veja também: Geração Z: os líderes que não virão - e agora?
O risco invisível entra no radar
A principal mudança está na forma como os riscos são definidos. O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), exigido pela NR-1, passa a incluir fatores psicossociais , historicamente negligenciados.
Isso amplia o conceito de risco ocupacional: não é mais apenas o ambiente físico que importa, mas também a cultura organizacional, a pressão por metas e o nível de suporte oferecido ao funcionário.
Na prática, empresas precisam estruturar processos para identificar esses riscos, algo que antes era tratado como “clima organizacional” ou benefício. Agora, é obrigação.
Veja também: Esse é o erro de gestão que trava o crescimento das empresas, segundo CEO da Falconi
A corrida por ferramentas de compliance
Os dados mostram que o mercado já está reagindo.
No primeiro trimestre de 2026, empresas brasileiras aceleraram a adoção de soluções voltadas à saúde organizacional:
O movimento indica uma mudança de mentalidade no RH, que passa a tratar o tema como diagnóstico de risco, e não mais como ação pontual de bem-estar.
“O RH parou de olhar para o clima organizacional apenas como ‘benefício’ e passou a enxergá-lo como ferramenta de diagnóstico de saúde e compliance”, afirma Conde.
Veja também: ‘Brasil não está preparado para a NR-1’, diz especialista britânico
O impacto no bolso das empresas
A urgência não é apenas reputacional, é financeira.
Os transtornos mentais e comportamentais já são a terceira maior causa de afastamento do trabalho no Brasil, segundo dados da Previdência. Em 2025, foram mais de 546 mil benefícios concedidos por essas condições.
Isso pressiona diretamente os custos das empresas, seja por afastamentos, queda de produtividade ou riscos jurídicos.
Tecnologia vira aliada estratégica
Para lidar com essa nova realidade, empresas têm recorrido à tecnologia para transformar um tema subjetivo em dados mensuráveis.
Ferramentas de gestão de pessoas permitem monitorar clima, engajamento e denúncias em tempo real, alimentando o GRO com informações que atendem às exigências dos auditores fiscais.
O resultado é uma mudança estrutural: saúde mental deixa de ser pauta de RH e passa a ser tema de governança.
“Hoje, gerenciar pessoas sem monitorar o risco psicossocial é um erro de compliance e um risco crítico de sustentabilidade para o negócio”, diz Conde.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: