Número de estudantes no ensino superior mais que dobrou em 20 anos, mas desigualdades persistem
O número de estudantes matriculados no ensino superior mais que dobrou no mundo nas últimas duas décadas, passando de cerca de 100 milhões em 2000 para 269 milhões em 2024. Os dados fazem parte do primeiro relatório global sobre tendências do ensino superior da UNESCO, divulgado nesta terça-feira, 12.
Segundo o estudo, atualmente 43% da população mundial em idade universitária está matriculada em instituições de ensino superior. Apesar do avanço, a expansão não ocorreu de forma igual entre os países e regiões, o que mantém desigualdades significativas no acesso à educação.
“Este novo relatório mostra a crescente demanda por ensino superior, que desempenha um papel insubstituível na construção de sociedades sustentáveis. No entanto, essa expansão nem sempre se traduz em oportunidades equitativas”, afirma Khaled El-Enany, diretor-geral da UNESCO.
O estudo reúne dados de 146 países e revela grandes diferenças regionais. Enquanto 80% dos jovens da Europa Ocidental e da América do Norte frequentam o ensino superior, a taxa cai para 59% na América Latina e Caribe, 30% no Sul e Oeste da Ásia e apenas 9% na África Subsaariana.
O relatório também destaca o crescimento das instituições privadas, que hoje representam um terço das matrículas globais. Na América Latina e Caribe, elas concentram quase metade dos estudantes. Em países como Brasil, Chile, Coreia do Sul e Japão, quatro em cada cinco universitários estudam em instituições privadas.
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Mobilidade internacional triplicou
Outro destaque do levantamento é o avanço da mobilidade estudantil internacional. O número de estudantes que buscam formação superior fora de seus países de origem saltou de 2,1 milhões em 2000 para quase 7,3 milhões em 2023.
Ainda assim, apenas 3% dos estudantes do mundo estudam no exterior. Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia concentram metade de todos os estudantes internacionais.
Países como Turquia e Emirados Árabes Unidos, porém, ganharam relevância nos últimos anos e ampliaram fortemente a recepção de estudantes estrangeiros. Já na América Latina, a mobilidade regional cresceu: a proporção de estudantes que escolhem países vizinhos passou de 24% para 43% entre 2000 e 2022, com a Argentina como principal destino.
Mulheres são maioria nas universidades
O relatório aponta ainda avanços na igualdade de gênero. Em 2024, havia 114 mulheres matriculadas no ensino superior para cada 100 homens no mundo. A paridade foi alcançada em praticamente todas as regiões, com exceção da África Subsaariana.
Apesar disso, as mulheres seguem sub-representadas no doutorado e ocupam apenas cerca de um quarto dos cargos de liderança sênior no meio acadêmico.
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Financiamento e inteligência artificial preocupam
A UNESCO alerta que o crescimento acelerado do ensino superior pressiona os sistemas educacionais e amplia os desafios relacionados à qualidade, inclusão e financiamento. Atualmente, o investimento governamental médio no ensino superior corresponde a 0,8% do PIB global.
O relatório também chama atenção para o impacto das tecnologias digitais e da inteligência artificial nas universidades. Mesmo com a rápida transformação do setor, apenas uma em cada cinco universidades no mundo possuía, em 2025, uma política formal sobre inteligência artificial.
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