O acessório queridinho dos corredores agora é outro
É difícil pensar em corrida sem pensar num bom par de tênis. Para os novatos, é a garantia de que o corpo não vai cobrar caro no dia seguinte. Para os veteranos, é também uma questão de desempenho e, em certa medida, de status. Mas a oferta de modelos e marcas cresceu tanto que o calçado já não diferencia quem está na largada. O acessório que vem ocupando esse espaço fica no rosto: os óculos de sol.
Segundo reportagem do Financial Times, uma estética própria está se formando entre os corredores, a chamada "runcore". No centro do visual, há um par de óculos chamativo, pelo menos entre os mais jovens, da geração Z.
O mercado reflete essa novidade: o setor global de óculos esportivos movimentou US$ 17,4 bilhões em 2024 e deve chegar a US$ 24,6 bilhões até 2030, com crescimento anual entre 5% e 6%, segundo a Grand View Research.
No Brasil, o estudo "Por Dentro do Corre", realizado pela Olympikus em parceria com a Box 1824, indicou que os óculos de sol são o quinto item mais utilizado na corrida, com 30% de adesão — empatados com o smartwatch para marcar o pace.
A vitrine é o rosto
O cantor Harry Styles trouxe visibilidade à tendência. Ele correu as maratonas de Tóquio e Berlim no ano passado com o modelo Junya Racer da District Vision, marca de Los Angeles fundada por Tom Daly e Max Vallot.
A grife começou há uma década com armações artesanais de foco técnico e hoje distribui em lojas como Mr Porter e Dover Street Market, além de redes especializadas em corrida na Cidade do México e em Londres. Os óculos representam 40% do faturamento da marca, segundo o FT.
As marcas independentes parecem estar saindo na frente de gigantes como Nike ou Adidas. A District Vision lançou recentemente seus modelos mais caros: as armações Mami e Miho custam 550 libras (cerca de R$ 4 mil), levaram mais de dois anos para serem desenvolvidas e esgotaram em um dia, duas vezes.
A francesa Satisfy iniciou parceria plurianual com a Oakley em 2023, com uma lente rosa sem armação. A britânica Soar apostou no modelo Cirrus, feito de titânio e com apenas 20 gramas.
Essas marcas menores estão encontrando seus nichos dentro de um mercado que até pouco tempo tinha uma referência dominante: a Oakley. A californiana, fundada em 1975 e com o Brasil como quarto maior mercado global, contratou em março Matthew M. Williams — ex-diretor criativo da Givenchy — para a mesma função.
Novas joias de rosto
Os óculos de corrida não são só pela estética. As lentes da District Vision oferecem proteção total contra raios UVA e UVB, resistem a estilhaços e têm revestimento repelente à água e ao óleo. Alguns modelos vêm com ventilação antiembaçante na almofada nasal.
Nicola Strange, ultramaratonista e cofundadora de uma empresa de insights, disse ao FT que corredores precisam de proteção contra elementos concretos — moscas, galhos, areia.
Além disso, existe a questão do custo-benefício e durabilidade, que muitas vezes não acompanham os tênis. Os calçados mais avançados custam entre 220 e 280 libras e se desgastam em poucas corridas, mas óculos de qualidade duram anos.
Tom Daly, cofundador da District Vision, disse ao FT que há dez anos correr era algo que se fazia à noite, sem querer ser visto. Hoje, segundo ele, o equipamento comunica um estilo de vida — e os óculos viraram "as joias de rosto dos corredores".
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