O ano começou bem para a Rumo — mas a dúvida do mercado é: até quando?
A Rumo, empresa de logística, começou bem 2026. Segundo o Santander, a companhia transportou 5,6 bilhões de toneladas-quilômetro úteis (RTK) em janeiro, uma alta de 55,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior, marcando o maior volume já registrado pela empresa em um mês de janeiro, segundo o relatório do banco divulgado nesta terça-feira, 10.
Apesar do crescimento expressivo, o resultado ficou 5,5% abaixo das estimativas do banco. Mas para os analistas do banco, os dados são positivos.
“Acreditamos que os números representam um início encorajador para 2026, especialmente por constituírem um recorde mensal para a companhia”, afirmaram Lucas Barbosa, Gabriel Tinem e Victor Tani, autores do relatório.
Segundo a análise do Santander, o desempenho da Rumo foi impulsionado principalmente pelas operações no Norte, que cresceram 67,3% em comparação ao ano anterior. Já a operação no Sul teve uma alta mais modesta, de 7,7%.
Tradicionalmente, janeiro é um mês de menor atividade para a companhia, por causa da safra de soja ainda em fase inicial, com avanço modesto da colheita em alguns estados e manutenções programadas nas lavouras.
Com o resultado, o Santander manteve a recomendação de compra para as ações da Rumo (RAIL3), com preço-alvo de R$ 22 até o fim de 2026, frente à cotação atual de R$ 15,47, o que indica um potencial de valorização superior a 40%.
A projeção de lucro líquido para 2026 é de R$ 1,66 bilhão, com receita de R$ 14,4 bilhões e EBITDA de R$ 8,16 bilhões.
A alavancagem, no entanto, segue em trajetória de alta, com previsão de dívida líquida de R$ 21,6 bilhões, equivalente a 2,7 vezes o EBITDA estimado. Por isso, a perspectiva do banco é de cautela para o restante do ano.
“Incertezas ainda pairam sobre a visibilidade dos volumes para o restante de 2026”, escrevem os analistas, destacando os riscos relacionados à safra de milho, à logística de exportação e à conjuntura macroeconômica brasileira.
A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que a produção de grãos deve renovar o recorde da safra 2024/25 e alcançar 353 milhões de toneladas em 2025/26, com a soja representando 177 milhões de toneladas.
Volatilidade no agro
O desempenho das ações da Rumo também reflete a volatilidade do setor, impactado por questões geopolíticas, como as tarifas dos Estados Unidos em 2025, e climáticas, como o ocorrido com a safra do Rio Grande do Sul em 2024.
Nos últimos 12 meses, os papéis da empresa acumularam uma queda de 16,1%, oscilando entre R$ 13,56 e R$ 20,53 no período.
Em 2025, as ações da companhia de logística ficaram entre as 10 maiores perdas da B3, com desvalorização de 13,67%. No entanto, em 2026, os papéis apresentam alta superior a 9%.
A operação da Rumo é sensível à produção agrícola, especialmente de soja, milho e açúcar, além da disponibilidade de fertilizantes, o que adiciona riscos climáticos e geopolíticos ao seu desempenho financeiro.
Segundo o Santander, as atenções devem se voltar para possíveis problemas de safra, como eventuais quebras de produção, riscos ao comércio global (incluindo insumos como fertilizantes), mudanças regulatórias no setor ferroviário, possíveis intervenções governamentais e a possibilidade de novos aumentos na taxa de juros brasileira, atualmente em 15% ao ano.
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