O 'bom problema' da Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo
Na virada do século, uma bolha especulativa das empresas de internet fez com que as principais empresas do Nasdaq Composite, índice norte-americano pesado em tecnologia, perdessem cerca de 75% em valor de mercado. Desde então, novas empresas no centro de revoluções tecnológicas deixam os investidores em alerta sempre que seus resultados parecem bons demais para ser verdade.
Entre previsões de disrupção histórica e alertas de euforia excessiva, a inteligência artificial (IA) se tornou o novo campo de batalha do mercado.
No centro da disputa está a Nvidia (NVDA), a empresa mais valiosa do mundo que, no final de 2025, alcançou a marca de US$ 5 trilhões em valor de mercado, a primeira na história a valer tanto.
Embora não seja propriamente uma companhia de IA, é dela que saem a maioria das Unidades de Processamento Gráfico (GPUs, na sigla em inglês) necessárias para treinar grandes sistemas como a OpenAI, do ChatGPT, a Amazon (AMZN) e a Oracle.
Para a Nvidia, a bolha não é uma realidade — e a empresa diz enfrentar um dilema mais concreto do que ideológico: a demanda por seus chips cresce mais rápido do que sua capacidade de entregá-los.
"Não existe uma bolha para nós. Nossa demanda computacional está acima da nossa capacidade de processamento. Sabemos que a nossa demanda computacional está acima da nossa capacidade de processar, o que é um bom problema", afirma Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da companhia na América Latina, em entrevista à EXAME. "Qualquer discussão sobre inteligência artificial envolve, direta ou indiretamente, a Nvidia", diz.
O desempenho recente da ação sustenta a tese operacional. Em 2025, os papéis da Nvidia avançaram cerca de 39%, superando o ganho de aproximadamente 16,4% do S&P 500 no mesmo período.
A trajetória, porém, foi marcada por volatilidade. Em meados do ano passado, a ação chegou a cair cerca de 37% diante de preocupações com tarifas de importação, restrições de exportação para a China e questionamentos sobre a sustentabilidade da demanda por IA. No fim do ano, recuperou as perdas e encerrou em alta.
Neste ano, até a quarta-feira, 18, os papéis eram negociados ao redor de US$ 186, com valor de mercado próximo de US$ 4,5 trilhões. No acumulado do ano, o desempenho ainda mostra ganhos modestos de um dígito, em um movimento de consolidação após a forte valorização anterior. Mas há tempo para crescer.
Resultados reforçam avanço dos data centers
O mercado aguarda a divulgação do quarto trimestre fiscal de 2026, que acontece na quarta-feira, 25, com expectativa de receita próxima a US$ 65,6 bilhões e lucro por ação de US$ 1,52.
No terceiro trimestre fiscal de 2026, reportado em novembro de 2025, a companhia registrou receita recorde de US$ 57 bilhões, alta de 62% na comparação anual.
A divisão de Data Center no período respondeu por US$ 51,2 bilhões, o equivalente a 89,8% das vendas totais, com crescimento de 66% em relação ao ano anterior.
No ano fiscal de 2025, a receita total atingiu US$ 130,5 bilhões, avanço de 114% sobre o exercício anterior. O lucro por ação em bases GAAP cresceu 147%.
Da experimentação à implementação
Para Aguiar, o mercado entrou em uma nova fase, o que deve impulsionar ainda mais a Nvidia.
“As empresas deixaram de discutir se a inteligência artificial traria benefícios. Agora elas estão acelerando a adoção”, afirma.
Segundo ele, o movimento atual marca a transição da fase de testes para a implementação em larga escala. A corrida por poder computacional, afirma, está apenas começando.
“Estamos apenas começando a nova era da inteligência artificial”, diz.
Brasil como polo estratégico
A Nvidia atua no Brasil desde 2010 e desenvolve mercados como energia, educação, pesquisa, manufatura e finanças, além de registrar avanço em varejo e saúde.
A empresa opera por meio de parceiros e disponibiliza sua arquitetura via provedores de cloud como Amazon, Google, Microsoft e Oracle.
O país reúne mais de 125 mil pesquisadores capacitados nas tecnologias da Nvidia e mais de 1.000 startups de IA vinculadas ao programa de aceleração da companhia.
Na América Latina, o Brasil é visto como mercado estratégico para a expansão da infraestrutura de IA, segundo Aguiar.
Investimento contínuo e capacitação
O principal desafio no mundo todo (e não só no Brasil), segundo Aguiar, é a formação de profissionais capazes de aplicar a tecnologia aos negócios.
Ele afirma que investimentos em inteligência artificial precisam ser contínuos e de longo prazo. “Não são investimentos de um ou dois anos. Se você para de investir, perde competitividade”, diz.
No mercado, a dúvida é se a inteligência artificial foi longe demais. Dentro da Nvidia, a questão é mais pragmática: como entregar mais rápido.
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