'O Brasil não é 011': a estratégia da agência de publicidade Ginga para chegar aos R$ 70 milhões

Por Júlia Arbex 18 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'O Brasil não é 011': a estratégia da agência de publicidade Ginga para chegar aos R$ 70 milhões

Em comemoração aos 24 anos de história, a Ginga lançou seu primeiro reposicionamento de marca. O rebranding, apresentado neste mês de abril, inaugura uma nova fase da agência de publicidade e busca traduzir de forma mais clara a visão de mundo que a empresa vem construindo.

A mudança chega em um momento de forte expansão. Nos últimos cinco anos, a Ginga cresceu, em média, 30% ao ano. Em 2025, entrou no ranking EXAME Negócios em Expansão graças aos resultados do ano anterior, quando a receita operacional líquida da agência alcançou R$ 28,76 milhões. O ritmo de crescimento continuou e a empresa encerrou o ano passado com faturamento de R$ 45 milhões. Agora, a meta é ainda mais ambiciosa: alcançar R$ 70 milhões em receita até 2029.

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O reposicionamento vai muito além de uma mudança estética. Segundo o CEO da Ginga, Pedro Del Priore, trabalhar a essência, a cultura e a visão de mundo da agência ajuda o mercado a entender de forma mais clara o que a empresa faz e como atua, além de atrair clientes e funcionários com maior alinhamento cultural.

A Ginga foi fundada em 2002 por Pedro Del Priore, Paulo Martinez e Marcos Brabo já como uma agência digital. Ao longo das últimas duas décadas, a empresa acompanhou as transformações da tecnologia, do comportamento do consumidor e do mercado e, hoje, se define como uma agência full service.

"Nosso principal papel é ajudar as marcas a construir uma comunicação publicitária moderna", define Del Priore. Para isso, reúne áreas como posicionamento de marca, estratégia, produção de conteúdo, audiovisual, criatividade e inteligência de dados, esta última voltada a entender melhor o público e orientar decisões.

Essa combinação faz com que a empresa se distancie do modelo tradicional de agência, com menos foco em execução isolada e mais em estratégia, criatividade, planejamento e construção de soluções sob medida.

A partir disso, a Ginga entendeu que faz mais sentido direcionar seus esforços para um mercado com o qual tem maior afinidade: o de médias e grandes empresas. "São companhias que já têm estruturas de comunicação mais maduras", pontua.

Atualmente, a agência trabalha com sete clientes e tem entre seus principais parceiros marcas como Mercado Livre, Kopenhagen, Hering, Petz, Polenghi, Hashdex e Animale.

"Colaboridade"

O sucesso da Ginga também aparece na forma como ela organiza sua operação. A agência conta com mais de 150 funcionários, sendo que quase 40% estão fora de São Paulo, e uma rede de mais de 700 pessoas conectadas no Brasil e no exterior.

A empresa mantém um escritório na Faria Lima, mas opera de forma remota. O modelo, adotado de maneira mais intensa depois da pandemia, permitiu ampliar a diversidade de talentos, criar uma estrutura mais horizontal e oferecer mais autonomia aos profissionais.

"A gente brinca que o Brasil não é 011, ele é +55. O Brasil tem regiões riquíssimas, não só financeiramente, mas culturalmente", diz.

Esse pensamento se transformou em um dos conceitos centrais da nova fase da agência. Batizado de "colaboridade", o termo foi criado pela própria Ginga para traduzir a combinação entre colaboração, diversidade de repertório e inteligência estratégica.

Mas o CEO afirma que a colaboridade não se limita aos funcionários da empresa. Ela também faz parte da forma como a Ginga se relaciona com as marcas que atende.

Foi daí que surgiu a metodologia UmDois, uma espécie de sprint de colaboração que reúne cliente, agência e, em alguns casos, especialistas convidados, durante um período que varia entre uma semana e dez dias. O intuito é resolver um desafio específico de forma rápida e aprofundada.

"Esse processo acelera a conexão entre os times, reduz ruídos e permite que as soluções apareçam de forma mais consistente."

Impacto positivo

Mas o ponto mais comentado por Del Priore sobre o reposicionamento da Ginga é a aposta que a empresa vem fazendo, nos últimos cinco anos, em impacto socioambiental. O executivo evita usar o termo ESG porque acredita que ele foi banalizado, mas afirma que a preocupação com sustentabilidade faz parte da essência da agência.

Para ele, marcas e empresas têm um enorme poder de influência sobre a sociedade e podem ajudar a transformar comportamentos. Por isso, a Ginga vem investindo em uma atuação mais responsável, olhando não apenas para questões internas, mas também para o tipo de projeto que entrega aos clientes.

"A ideia é desenvolver trabalhos que gerem impacto positivo para o mundo, sem deixar de lado a lucratividade e os objetivos de negócio", explica.

Além disso, os sócios e diretores da agência passaram por uma formação em economia regenerativa na Gaia Education, sediada na Escócia. A Ginga assinou ainda o Pacto Global da ONU, considerada a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, e recebeu em abril a certificação do Sistema B, grupo global que reúne empresas comprometidas com impacto social e ambiental.

Esse selo, segundo Del Priore, tem peso porque exige revisões constantes e impede que a sustentabilidade seja tratada apenas como discurso.

"Queremos trabalhar com empresas que genuinamente tenham uma agenda de impacto positivo para o mundo. Estamos unindo propósito de vida com propósito financeiro".

A estrutura societária da Ginga segue essa lógica de colaboração. O grupo, que inclui Marcelo Aquilino, Thomas Rebergue, Lais Araújo, Karen Mendes, Fernanda Fontes, David Galasse e Francine Azevedo, compartilha uma visão de mundo semelhante e representa a construção coletiva da agência.

"São profissionais que temos muita admiração e orgulho", reforça.

IA na operação

Com relação à inteligência artificial, Del Priore conta que a tecnologia já está presente em praticamente todas as áreas da Ginga, mas sempre acompanhada de governança e diretrizes éticas.

Pensando nisso, a empresa desenvolveu a AI Academy, iniciativa voltada ao treinamento dos funcionários para o uso responsável dessas ferramentas em áreas como criação, direção de arte, vídeo, planejamento e produção de texto.

"Não adianta comprar uma tecnologia e achar que isso vai gerar vantagem competitiva. Isso precisa vir acompanhado de cultura e responsabilidade", afirma.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

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Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.

São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2025.

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