O capital estrangeiro e sua paciência seletiva com o Brasil
O investidor estrangeiro injetou R$ 56,54 bilhões na B3 nos quatro primeiros meses de 2026 — o melhor resultado para o período desde 2022, segundo levantamento da Elos Ayta. O volume já é 2,22 vezes superior a todo o fluxo registrado em 2025, quando o saldo somou R$ 25,47 bilhões.
Mas abril deu sinais de que o ritmo está mudando.
O mês registrou entrada líquida de R$ 3,18 bilhões sem ofertas — o pior resultado mensal de 2026 e a terceira queda consecutiva no fluxo, segundo a Elos Ayta.
Ao incluir IPOs e follow-ons, o número sobe para R$ 3,22 bilhões, e o acumulado do ano alcança R$ 57,05 bilhões, equivalente a 47,6% do pico de 2022.
A liquidez também recuou. As compras somaram R$ 447,1 bilhões e as vendas, R$ 443,95 bilhões, abaixo dos R$ 500 bilhões registrados em cada ponta em março, segundo a consultoria.
O dado que mais chama atenção está dentro do próprio mês.
Até o dia 22 de abril, o saldo acumulado no ano havia chegado a R$ 64,42 bilhões. O fechamento em R$ 56,54 bilhões indica uma saída líquida de R$ 7,88 bilhões nos últimos dias, segundo a Elos Ayta.
"Esse movimento apresenta características típicas de fluxo institucional, com concentração em uma janela curta e impacto relevante na trajetória mensal", aponta o levantamento.
O que explica o recuo
Entre os fatores identificados pela Elos Ayta estão a realização de lucros após um início de ano forte, o aumento da aversão a risco no cenário global e oscilações em commodities relevantes, como o petróleo.
"O Brasil segue sendo tratado como um ativo de maior risco dentro dos portfólios globais, o que implica entradas expressivas em momentos de maior apetite e saídas rápidas em períodos de maior cautela", diz a consultoria.
A leitura da Elos Ayta é de que a desaceleração não representa uma reversão estrutural.
"O fluxo estrangeiro permanece positivo e relevante em 2026, mas passou a operar de forma mais tática, com maior sensibilidade a variáveis externas", aponta o levantamento. Esse padrão, segundo a consultoria, está historicamente associado a períodos de maior volatilidade no mercado acionário.
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