‘O cliente hoje busca identidade, não só um nome estrangeiro’, diz empresário de joalheria

Por Layane Serrano 14 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘O cliente hoje busca identidade, não só um nome estrangeiro’, diz empresário de joalheria

Durante muito tempo, bastava um nome europeu estampado em uma etiqueta para que uma marca de acessórios fosse imediatamente associada ao luxo, tradição e sofisticação.

No mercado de fashion jewelry, o desejo quase sempre vinha de fora. Paris, Milão e outras capitais da moda dominavam o imaginário dos consumidores, enquanto marcas brasileiras ainda buscavam espaço em um setor historicamente guiado pela estética internacional.

Foi justamente na contramão dessa lógica que nasceu a Hector Albertazzi.

A origem da companhia familiar

Criada em 2009, em um pequeno conjunto no centro de São Paulo, a marca apostou desde o início em um conceito que ainda era raro no Brasil: acessórios premium com design autoral, acabamento sofisticado e identidade própria.

“Achamos que era o momento de criar um novo conceito na fashion jewelry, de peças mais premium, como as que víamos na Europa”, afirma Hector Albertazzi, fundador e CEO da empresa.

Mais de 15 anos depois, a companhia projeta faturar R$ 45 milhões em 2026 e prepara uma nova etapa de crescimento. A estratégia inclui expansão internacional, fortalecimento do e-commerce e investimentos equivalentes a 20% da receita ao longo de 2026 e 2027.

Produção própria e DNA artesanal

Um dos pilares da Hector Albertazzi está no controle integral da cadeia produtiva. Toda a fabricação acontece no Brasil, em estruturas próprias, acompanhando desde a modelagem até o acabamento final das peças.

A marca utiliza materiais como liga de alta fusão, cristais austríacos e pérolas de água doce em suas coleções, combinando técnicas tradicionais de joalheria com o universo da fashion jewelry.

“Grande parte dessa consistência vem do nosso controle total da produção. Isso garante não só qualidade, mas também fidelidade ao processo criativo e um nível de precisão raro no mercado”, afirma Marcelo Albertazzi, diretor de criação da empresa.

A operação começou com apenas quatro funcionários. Hoje, reúne cerca de 100 colaboradores e mantém uma espécie de “universidade interna” para formação técnica e preservação do conhecimento artesanal.

Toda a fabricação acontece no Brasil, em estruturas próprias, acompanhando desde a modelagem até o acabamento final das peças (Hector Albertazzi/Divulgação)

Maximalismo impulsiona expectativas

Para 2026, a expectativa da empresa é positiva diante da retomada do maximalismo na moda, tendência marcada por acessórios maiores, mais chamativos e protagonistas no visual.

“Temos expectativas muito boas para os acessórios como destaque no vestuário”, afirma a companhia.

Hoje, a empresa opera com quatro lojas próprias, cerca de 100 funcionários e uma estrutura totalmente nacionalizada de produção.

O e-commerce, estruturado há cerca de dez anos, já representa entre 10% e 12% do faturamento da companhia.

Nos últimos anos, a marca vem sustentando um crescimento médio anual próximo de 30%, apoiado em uma expansão gradual entre varejo físico, canais digitais e exportações.

“Não se trata apenas de crescer, mas de crescer com controle, algo especialmente desafiador em negócios criativos”, afirma o empresário.

A próxima fronteira agora é internacional. A empresa já participa de feiras em mercados como Paris e Milão e pretende ampliar sua presença fora do Brasil nos próximos anos.

Quando o olhar é interno, a gestão funciona com líderes responsáveis pelas metas de cada setor, tanto em produção quanto em vendas. A lógica é crescer sem perder aquilo que transformou a Hector Albertazzi em uma exceção no mercado: uma marca brasileira que decidiu competir no segmento premium sem esquecer da sua identidade.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: