O colégio de SP que superou 80 escolas globais e levou o Brasil ao topo de olimpíada britânica
No cenário da educação privada brasileira, o termo "bilíngue" tornou-se um carimbo frequente, muitas vezes associado a escolas tradicionais que apenas expandiram suas cargas horárias de inglês.
O Brazilian International School (BIS) nasceu na contramão dessa tendência: a instituição foi projetada, desde a sua fundação, como um colégio brasileiro bilíngue de raiz. Sob uma proposta sociointeracionista e humanista, a escola estrutura-se como um espaço de escuta ativa e transformação, onde o rigor acadêmico só funciona se caminhar lado a lado com o acolhimento emocional.
“Dentro da nossa visão, do nosso propósito e da filosofia, essa organização horizontal entre as pessoas, famílias, colaboradores e diretores precisa existir. É o que o nosso colégio acredita”, afirma Audrey, uma das lideranças da instituição. Para a educadora, o objetivo central vai além de formar estudantes para exames: o foco é desenvolver cidadãos íntegros e resolvedores de problemas capazes de atuar no mundo.
O socioemocional na frente e a chancela do "ISO" educacional
Um dos grandes diferenciais do BIS é a convicção de que o bem-estar psicológico é o verdadeiro motor do aprendizado. As relações humanas e o desenvolvimento emocional são colocados de forma intencional à frente de qualquer outra proposta.
Para estruturar essa visão desde a educação infantil, o colégio utiliza o LIV (Laboratório de Inteligência de Vida), um programa que introduz práticas socioemocionais contínuas para fortalecer a resiliência dos alunos diante das adversidades e das diferenças. Os reflexos dessa abordagem aparecem diretamente no depoimento de quem vivencia o cotidiano escolar:
“A questão da atenção, do carinho e da escuta que a escola tem afeta muito o aprendizado. Se a criança não se sente confortável onde está, não tem como estar disposta a internalizar algo novo”, pondera a mãe Maria Vitória. O aluno Renato endossa o sentimento de pertencimento: “Os diretores estão preocupados se você está se sentindo bem. É uma escola onde você se sente de fato acolhido e se torna um aluno 'para sempre BIS'.”
Em paralelo à formação humana, a entrega acadêmica é garantida por meio de um selo de prestígio global: a dupla certificação pelo Cognia. Diferente do modelo IB (International Baccalaureate), o Cognia funciona como um grande "ISO da educação", conferindo aos estudantes um certificado internacional amplamente reconhecido nas universidades da Europa e dos Estados Unidos, além do Brasil.
Navegando por dois mundos: O caminho para as universidades
A preparação para o ensino superior no BIS é desenhada para respeitar a individualidade e o projeto de vida de cada estudante. A partir do Year 9 (equivalente ao 9º ano do Ensino Fundamental), os alunos contam com o suporte de orientadores educacionais e uma equipe de school counseling (aconselhamento universitário) dedicada a estruturar portfólios e mapear percursos de carreira.
O diferencial do modelo é permitir que o estudante não precise anular um futuro em detrimento do outro. “A preparação no BIS é muito interessante porque a gente navega os dois mundos ao mesmo tempo: tanto o processo de application internacional quanto o vestibular nacional. Eles dão a liberdade para escolhermos o nosso caminho”, relata o estudante Renato.
A matriz curricular brasileira prepara os candidatos para desafios como o Enem e os vestibulares locais, enquanto a matriz internacional capacita para testes como o SAT e os processos de admissão estrangeiros. A rotina inclui simulados e a participação frequente em Olimpíadas de Conhecimento em disciplinas como Matemática, Física, Química e Biologia, normalizando o formato dos exames para que, na hora da avaliação real, o cenário já seja familiar.
O topo do mundo nas Olimpíadas Globais
O amadurecimento pedagógico do BIS ganhou projeção internacional por meio de sua participação histórica no B.O. (British Olympiad), uma das olimpíadas acadêmicas mais difíceis do planeta. Disputando o palco em um segundo idioma contra estudantes do mundo inteiro, o BIS construiu uma trajetória de dez anos na competição até alcançar, em 2024, o primeiro lugar geral — tornando-se a primeira escola brasileira a conquistar o pódio máximo do torneio.
“Foi uma rede de conexão e de amor muito forte. Eu dizia para os meus alunos: a gente não precisa superar o outro, a gente precisa nos superar”, relembra a educadora Alessandra. Mais do que a conquista do troféu, a escola transformou a experiência em ganho curricular, integrando os aprendizados da olimpíada diretamente nas disciplinas regulares do colégio. Como resultado, os estudantes ganharam foco, capacidade de improvisação e maturidade para liderar sob pressão.
A vertente empreendedora ganha força com o D.M.A.S.T.E.R., um programa voltado para o High School focado em negócios. Em sua estreia no programa, a equipe do BIS conquistou o segundo lugar mundial entre mais de 80 escolas, defendendo um projeto para investidores britânicos reais.
“Aprender finanças, saber controlar os gastos e montar uma planilha é muito importante”, conta a aluna Nicole sobre a aplicação prática do projeto, que é complementado pelo ciclo de palestras Fundamente-se, responsável por trazer executivos e empreendedores do mercado para dialogar com as turmas.
Para as lideranças do BIS, a meta final é plantar sementes de lideranças positivas e humanizadas. “Liderança não é só aquela nata da desenvoltura. Liderança é você saber, em qualquer profissão que tiver, ser um resolvedor de problemas”, conclui Audrey.
Série documental educação e futuro
Essa jornada de bilinguismo e protagonismo jovem é o foco deste episódio da série documental Educação e Futuro, uma produção original da EXAME.
O projeto investiga os bastidores e os métodos das instituições de ensino que estão redefinindo as fronteiras da aprendizagem e preparando as novas gerações para um mundo globalizado e em constante transformação.
O episódio completo está disponível no canal oficial da EXAME no YouTube.
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