O cubano que criou em Brasília uma empresa de tecnologia de R$ 22 milhões

Por Júlia Arbex 29 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O cubano que criou em Brasília uma empresa de tecnologia de R$ 22 milhões

A Digiteam, empresa de Brasília especializada em gestão de equipes externas e automação de processos em campo, projeta crescer mais de 30% em 2026. A empresa desenvolve softwares usados por companhias de setores como energia, saneamento, telecomunicações e indústria para organizar operações externas, monitorar atividades em tempo real e reduzir falhas operacionais.

Após registrar uma receita operacional líquida de R$ 15 milhões em 2024, entrou no ranking EXAME Negócios em Expansão 2025. No ano passado, faturou R$ 16,2 milhões. Atendendo 12 clientes de médio e grande porte no Brasil, Chile e Argentina, a expectativa é alcançar R$ 22 milhões neste ano.

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O fundador e CEO, Julio de la Guardia, nasceu em Cuba e chegou ao Brasil em 11 de setembro de 2001 para trabalhar em um projeto da antiga Embratel. Formado em engenharia da informática por uma universidade politécnica cubana, atuava no setor de telecomunicações em seu país de origem e desembarcou aqui inicialmente para um trabalho temporário.

O projeto terminou, mas ele decidiu ficar. Casado com uma brasileira do Mato Grosso, que conheceu durante uma viagem de avião, Julio tem uma filha e se naturalizou brasileiro em 2011.

“Quem reclama daqui é só brasileiro. Sou supergrato, é um país que me recebeu muito bem”, afirma Julio, que visita Cuba todos os anos para rever familiares e diz ser fã do Brasil.

Depois de passar por Ribeirão Preto, o empreendedor se mudou para Brasília, onde trabalhou na antiga Brasil Telecom, empresa posteriormente incorporada pela Oi. Foi nesse período, durante o avanço inicial da telefonia móvel no Brasil, que começou a enxergar oportunidades ligadas a aplicativos móveis e serviços de campo.

A Digiteam foi fundada em 2005 e, nos primeiros anos, atuava desenvolvendo softwares sob encomenda e aplicativos móveis para diferentes empresas. O modelo de negócio começou a mudar por volta de 2015, quando deixou de operar apenas como uma "fábrica de software" para investir em um produto próprio no modelo SaaS, em que o cliente paga pelo uso contínuo da plataforma.

A mudança aconteceu após um projeto desenvolvido para a Monsanto. Durante esse trabalho, Julio identificou uma demanda pouco atendida no mercado de gestão de equipes externas. A partir disso, criou uma plataforma voltada para field service, área responsável por organizar operações de campo de empresas que possuem técnicos, equipes de manutenção, fiscais ou prestadores de serviço trabalhando fora do escritório.

Como a empresa cresceu

Quando conquistou o primeiro grande contrato, em 2017, a Digiteam tinha apenas quatro pessoas e freelancers que atuavam diretamente de Cuba. Atualmente, possui dois produtos. O primeiro deles é o Digiteam FSM, sigla para field service management. A plataforma funciona como um sistema para organizar e acompanhar equipes que trabalham fora do escritório, como técnicos de manutenção, instaladores, fiscais e prestadores de serviço.

O software centraliza tarefas como abertura de ordens de serviço, distribuição de equipes, definição de rotas, acompanhamento em tempo real e coleta de informações em campo. A ideia é garantir que o profissional certo chegue ao local correto, no horário adequado e com todas as informações necessárias para executar o trabalho. A plataforma também permite monitorar deslocamentos, registrar o tempo gasto em cada atendimento, controlar materiais utilizados e acompanhar o status das operações.

A digitalização desses processos reduz erros operacionais, melhora a produtividade e acelera o atendimento ao cliente. O sistema também gera dados sobre as atividades realizadas em campo, permitindo que as empresas identifiquem gargalos, planejem recursos e tomem decisões operacionais com mais precisão.

O segundo produto é o Digiteam FPA, ou field process automation. Diferentemente do FSM, o foco não está em serviços técnicos de manutenção ou instalação, mas em processos externos que exigem fiscalização, inspeção, auditoria ou coleta de dados em campo.

A ferramenta é utilizada, por exemplo, em projetos ligados à Caixa Econômica Federal para acompanhamento de obras financiadas pelo banco. Nesse caso, a plataforma é usada para atividades de fiscalização de obras, vistorias e coleta de informações em campo. O Digiteam FPA foi desenvolvido para operações de grande escala, permitindo gerenciar milhares de usuários, inspeções e projetos simultaneamente. A proposta é reduzir retrabalho, aumentar o controle das informações e dar mais rastreabilidade e governança aos processos realizados fora das empresas.

Embora tenha começado focada em utilities, a empresa ampliou a atuação nos últimos anos, e também atende clientes dos setores de indústria, saúde e financeiro. A empresa conta com 53 funcionários distribuídos entre a sede em Brasília e equipes alocadas em Salvador (BA) e Belo Horizonte (MG). Além de cubanos, emprega um venezuelano, um afegão e um britânico que se mudou recentemente para o Brasil.

Os desafios à frente

O quadro societário é formado por três sócios. Júlio atua como CEO e lidera a área comercial. Daniel Borroto, cofundador cubano, responde pela engenharia e desenvolvimento tecnológico da empresa. Já Breno Oliveira entrou na sociedade em 2017, após investir na Digiteam em 2017, quando a empresa conquistou seu primeiro grande contrato e precisava de capital para executá-lo.

Mesmo em crescimento, a Digiteam enfrenta desafios típicos de empresas de tecnologia em fase de consolidação. O principal deles, conta Julio, é decidir até que ponto deve escalar sem perder capacidade de customização e proximidade com os clientes.

Outro desafio envolve profissionalizar processos internos. Com o aumento do número de funcionários e operações em diferentes cidades e países, a empresa passou a investir mais em comunicação, cultura organizacional, segurança da informação e padronização operacional. "O cenário é bastante diferente da fase inicial, quando toda a equipe trabalhava na mesma sala", diz.

A empresa também disputa espaço com gigantes globais do setor de field service management, como Salesforce e Oracle. Segundo o fundador, a principal vantagem competitiva da Digiteam está na capacidade de adaptação do software às necessidades específicas de cada cliente, algo que considera mais difícil em plataformas globais mais padronizadas.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

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Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.

São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2025.

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