O dilema da Alemanha: aumentar sua população ou ver a economia parar
A economia alemã, cujo PIB oscila entre a recessão e quase estabilidade desde 2023, tem vários problemas. Um deles é, simplesmente, a falta de pessoas. Segundo um estudo da Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a população em idade ativa, de 15 a 64 anos, deve cair mais de 8% até 2030, um encolhimento acima da média da entidade e que gera escassez de trabalhadores. “A questão é especialmente severa em áreas como enfermagem, medicina, construção, trabalhos manuais, logística, TI e indústria”, aponta o estudo.
Uma saída óbvia para a questão é atrair imigrantes. Em 2024, 25,2 milhões de pessoas de origem estrangeira viviam na Alemanha, numa população total de 83 milhões. O país, no entanto, tem optado por dificultar a entrada deles, o que deverá acentuar os desafios na economia. O documento da OCDE estima que o PIB da Alemanha cairia de 3,6% a 5,4% até 2030, a depender do cenário da queda populacional. As projeções do órgão mostram que, caso a imigração anual suba para 630.000 pessoas, os efeitos negativos sobre a economia seriam reduzidos.
Sem estrangeiros, os alemães mais velhos terão de trabalhar mais. “A população idosa, detentora de experiência acumulada, pode desempenhar um papel relevante na adaptação da economia alemã”, diz José Eustáquio, doutor em demografia pela UFMG. O investimento em automação, robótica e inteligência artificial pode até compensar o declínio do número de trabalhadores, aponta Eustáquio. Mas a rea-lidade demográfica já está às portas da maior economia europeia.
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