O feed influencia a escolha de escola? O papel do marketing educacional na relação com as famílias

Por Da Redação 6 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O feed influencia a escolha de escola? O papel do marketing educacional na relação com as famílias

Em um cenário cada vez mais competitivo, escolas têm revisado suas estratégias de marketing para além da presença digital.

No Colégio Miguel de Cervantes, em São Paulo, o posicionamento institucional não está centrado apenas em redes sociais, mas na construção de reputação e na coerência entre discurso e experiência. A lógica, segundo a equipe de comunicação, é clara. Mais do que gerar interesse imediato, é preciso sustentar, ao longo do tempo, os valores e a missão que orientam a experiência educativa.

A construção de um marketing estruturado dentro da escola

A criação de um departamento de comunicação no colégio não foi imediata. A necessidade surgiu a partir de uma demanda institucional de alinhamento de discurso e fortalecimento da comunicação institucional com a comunidade escolar.

Tatiana Fardo, coordenadora de conteúdo do colégio desde 2014, acompanhou essa transformação desde o início. “O colégio sentiu a necessidade de ter um departamento de comunicação”, afirma. Na época, jornalista de formação, ela foi convidada a assumir a área de produção de conteúdo.

Atualmente, a estrutura envolve diferentes frentes, como identidade visual, publicidade e produção de conteúdo para múltiplos canais, sempre alinhados à proposta pedagógica da instituição. “Eu estou aqui cuidando do time de conteúdo para as redes sociais, para o site, para a revista da escola”, explica.

Estratégia digital com foco em públicos distintos

A atuação nas redes sociais é segmentada e orientada por objetivos claros. O Instagram concentra a maior parte dos esforços, com conteúdo voltados ao dia a dia da escola e à conexão com famílias priorizando transparência e registro da rotina pedagógica.

“O nosso foco é nas famílias da comunidade e pessoas interessadas em conhecer a proposta pedagógica da escola”, diz Tatiana.

Já o LinkedIn segue uma lógica diferente. “Cada rede social tem o seu perfil.  A adaptação de linguagem e formato é parte essencial de uma comunicação eficaz”, afirma. Na plataforma profissional, o conteúdo é mais aprofundado e direcionado a um público que busca compreender propostas pedagógicas, posicionamento institucional e reflexão sobre educação.

Essa diferenciação mostra uma leitura estratégica do ambiente digital, em que não basta estar presente, é necessário comunicar de forma adequada para cada audiência.

Marketing educacional não é sobre venda, é sobre reputação

Diferente de outros setores, o marketing educacional não se baseia exclusivamente em conversão direta. No Colégio Miguel de Cervantes, o foco está na construção e manutenção de credibilidade e na coerência entre discurso e prática.

Tatiana Fardo, responsável pela área de conteúdo, explica que o papel da comunicação vai além da divulgação. Trata-se de garantir que aquilo que é apresentado ao público reflita a realidade da instituição. Como resume, o marketing educacional tem um enfoque muito maior na reputação e no relacionamento com a comunidade do que na captação de alunos.

Essa abordagem exige transparência. O que é comunicado precisa ser verdadeiro e corresponder à experiência vivida pelas famílias dentro da escola. É essa consistência que sustenta a confiança e influencia a decisão ao longo do tempo.

A experiência como principal ativo da estratégia

Um dos pontos centrais da estratégia está fora do digital. Para a equipe, a experiência presencial ainda é determinante na escolha das famílias.

“Nenhuma família escolhe uma escola só pela rede social”, afirma Tatiana.

Nesse contexto, o ambiente digital atua como reforço, não como ponto de partida. A decisão costuma nascer da indicação de outras famílias e da percepção construída a partir dessas experiências. As redes sociais entram como validação, confirmando se o que foi dito corresponde à realidade de forma complementar ao contato direto com a escola.

Esse comportamento reforça a necessidade de integrar comunicação e vivência prática, evitando desalinhamentos que possam comprometer a credibilidade institucional.

Além das redes sociais, o colégio investe em outros canais, como site institucional e revista própria. A publicação semestral reúne conteúdos pedagógicos, atividades e artigos de professores, ampliando o diálogo com a comunidade e fortalecendo o vínculo.

O site, por sua vez, cumpre um papel estratégico na jornada de decisão. É nele que as famílias encontram informações mais aprofundadas sobre a proposta pedagógica, o que contribui para uma avaliação mais completa antes da escolha.

Escuta ativa e adaptação contínua

Outro elemento central da estratégia é a escuta do público. Mais do que acompanhar métricas, a equipe busca entender como a comunicação é percebida pela comunidade.

Segundo Tatiana, a principal lição ao longo dos anos foi observar o comportamento das famílias e ajustar a comunicação a partir dessa leitura. O alinhamento entre o que é comunicado e o que é vivido dentro da escola se torna, assim, um processo contínuo.

Para o colégio, o marketing precisa equilibrar visibilidade e responsabilidade institucional. A comunicação não pode funcionar como um elemento isolado, desconectado da realidade.

“Uma boa comunicação não consegue superar uma experiência ruim”, afirma Tatiana.

Essa lógica reforça que o marketing é consequência de um trabalho interno consistente. Antes de comunicar, é necessário garantir que a entrega esteja alinhada com o que é prometido.

Um novo olhar sobre o marketing nas escolas

A estratégia adotada reflete uma mudança mais ampla no setor educacional. O marketing deixa de ser apenas uma ferramenta de divulgação e passa a atuar como um elo entre posicionamento, experiência e reputação.

Nesse cenário, escolas que conseguem integrar esses elementos tendem a se destacar. Mais do que ampliar a visibilidade, o desafio  passa a ser construir confiança e sustentar relações duradouras com as famílias.

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