O fim do 'benefício opcional': Como a nova NR-1 transforma a saúde em indicador de performance
A gestão de pessoas no Brasil atingiu um ponto de inflexão. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), a identificação e o gerenciamento de riscos psicossociais — como sobrecarga, assédio e estresse crônico — deixaram de ser uma iniciativa isolada de cultura organizacional para se tornarem uma obrigatoriedade legal.
O que antes era discutido em reuniões de engajamento, agora integra o radar de compliance e gestão de riscos operacionais das companhias.
Esse novo cenário foi o tema central da segunda edição do Starbem Summit, em São Paulo, onde lideranças de RH e especialistas debateram como a norma reposiciona o setor de Recursos Humanos.
De acordo com Leandro Rubio, a mudança é estrutural: a saúde mental agora é parte indissociável da agenda estratégica. Em um país que registra recordes de afastamentos por transtornos mentais, a negligência com o fator psicossocial não gera apenas perda de talentos, mas custos diretos com absenteísmo e rotatividade que corroem a rentabilidade.
“Existe uma mudança clara de prioridade. A partir da NR-1, saúde mental deixa de ser opcional e passa a ser parte da agenda estratégica das empresas”, afirma Leandro Rubio.
O apagão de liderança e o desafio do monitoramento de dados
Um dos pontos mais críticos discutidos no evento foi o abismo entre a estratégia desenhada pelo RH e a execução na linha de frente. Dados apresentados no Summit revelam que apenas 20% das pessoas em cargos de gestão exercem, de fato, a liderança.
Esse dado é alarmante para o RH, pois evidencia que a maioria dos gestores não está preparada para identificar sinais de burnout ou gerenciar equipes sob a nova ótica da NR-1.
Para as empresas, o desafio agora é migrar do suporte reativo para o monitoramento contínuo. Não basta oferecer acesso a sessões de terapia; o RH precisa de dados estruturados para mapear as causas raízes do adoecimento emocional dentro das unidades de negócio. Sem uma liderança capacitada e ferramentas de medição, a conformidade com a NR-1 torna-se impossível, expondo a organização a riscos jurídicos e queda de competitividade.
'AI Care' e a sustentabilidade da alta performance
A tecnologia, ao mesmo tempo que gera produtividade, tem sido um vetor de ansiedade. Em apenas um ano, a exposição de tarefas à Inteligência Artificial saltou de 36% para 49%, gerando o medo da substituição entre profissionais qualificados.
Nesse contexto, surge o conceito de "AI Care", que propõe o uso da tecnologia não apenas para otimizar processos, mas como suporte para o bem-estar emocional.
A discussão sobre performance foi selada pelo nadador olímpico Cesar Cielo, que trouxe uma lição fundamental para o ambiente corporativo: resultados obtidos às custas da saúde não são sustentáveis.
A lógica foi reforçada pelo nadador olímpico Cesar Cielo, que trouxe um paralelo com o esporte de alta performance. “Se o resultado vem às custas da sua saúde, isso não é performance sustentável”, afirmou.
Para as empresas que buscam longevidade em 2026, a saúde emocional tornou-se o novo KPI de eficiência. Aquelas que ignorarem a integração da saúde mental em seu modelo de governança enfrentarão não apenas a pressão regulatória da NR-1, mas a inviabilidade de seus próprios resultados financeiros.
(Cesar Cielo, ex-nadador olimpico/divulgação)
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: